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domingo, 5 de agosto de 2018

The Film Handbook#172: Ridley Scott

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Ridley Scott
Nascimento: 30/11/1937, South Shields, Inglaterra
Carreira (como diretor): 1977-

Ainda que os filmes que Ridley Scott escolheu realizar sugiram um diretor de considerável ambição, não é certo que se possa levá-lo muito a sério até que supere sua inabilidade para contar uma história com clareza ou criar personagens críveis e intensas. Demasiado preocupado com o visual das coisas, sua obra é frequentemente previsível, mesmo incoerente.

Scott já havia se estabelecido como diretor de espalhafatosos comerciais quando realizou sua estreia em longa-metragem com Os Duelists/The Duelists, uma bombástica, ainda que visualmente suntuosa, adaptação de um conto de Joseph Conrad, sobre uma disputa obsessiva entre dois oficiais durante as Guerras Napoleônicas. Porém foi a sanguinolenta e nada prazerosa ficção-científica de horror Alien - O Oitavo Passageiro/Alien>1 o primeiro a sugerir o seu potencial de bilheteria: infundindo o banal enredo no estilo  da Velha Casa Sinistra (uma espaçonave é invadida por um monstro  ferozmente assassino e fisicamente repulsivo) em visuais sombrios e irreais, Scott foi quase hábil em ocultar a obviedade fundamental de sua montagem para provocar sustos e a natureza estereotipada de seus personagens bidimensionais. Ainda mais extravagantemente montado foi Blade Runne - O Caçador de Andróides/Blade Runner>2. Aqui a evocação de uma enevoada e chuvosa Los Angeles do século XXI (uma metrópole high-tech em estado de terminal declínio urbano) ganhou precedência sobre a desleixada estrutura narrativa a respeito de um tira caçador de perigosos "replicantes" humanóides. Ao menos o pendor de Scott por visuais excessivos (chicotadas de atmosfera com abundante uso de iluminação traseira, reminiscente dos anúncios televisivos) emprestou ao seu mundo futurista uma falsa autenticidade, mas A Lenda/The Legend (uma ridícula fantasia derivativa de Tolkien, sobre um Senhor das Trevas que tenta imergir um universo de unicórnios, elfos e princesas em uma noite invernal), atolou-se tanto em trivialidades irrelevantes que o filme despencou sob o peso de seu próprio desenho de produção.

Mesmo quando lida com uma locação reconhecível (a Nova York contemporânea) no thriller Perigo na Noite/Someone Watch Over Me>3, Scott se sente no direito de achar necessário extravagantes fotografia do alto e cenários, apesar do apartamento palacial vivida pela rica testemunha do assassinato por quem um tira de colarinho branco e casado se apaixona, serve ao propósito dramático de sugerir a diferença entre as origens de classe. Novamente, no entanto, a despeito das excelentes interpretações, que reconhecem ao menos uma vez os aspectos mais dolorosos de um adultério, o estilo demasiado enfático e gráfico tende a dissipar o suspense.

Scott é talvez uma vítima de sua própria formação como publicitário; um narrador frequentemente errático e desajeitado, muito propenso a trocar tudo por um golpe visual fácil e barato. Abençoado com o olho para deslumbrantes visuais, precisa ainda equacionar estilo com conteúdo.

Cronologia
Scott pode ser comparado com outros diretores britânicos com passado nos anúncios: seu próprio irmão Tony, Parker, Adrian Lyne e Hugh Hudson.

Destaques
1. Alien - O Oitavo Passageiro, EUA, 1979 c/Tom Skerritt, Sigourney Weaver, John Hurt, Ian Holm

2. Blade Runner - O Caçador de Andróides, EUA, 1982 c/Harrison Ford, Rutger Hauer, Sean Young

3. Perigo na Noite, EUA, 1987 c/Tom Berenger, Mimi Rogers, Loraine Bracco

Texto: Andrew, Geoff. The Film Handbook. Londres: Longman, 1989, pp. 262-3.


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