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domingo, 1 de janeiro de 2017

Filme do Dia: Sou Cuba (1964), Mikhail Kalatozov


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Sou Cuba (Soy Cuba/Ya Kuba, Cuba/URSS, 1964). Direção: Mikhail Kalatozov. Rot. Original: Enrique Pineda Barnet & Yevgeni Yeytushenko. Fotografia: Sergei Urusevsky. Música: Carlos Fariñas. Montagem: Nina Glagoleva. Dir. de arte: Yevgeni Svidetelev. Figurinos: René Portocarrero. Com: Sergio Corrieri, Salvador Wood, José Gallardo, Raúl García, Luz Maria Collazo, Jean Bouise, Alberto Morgan, Celia Rodríguez.
Com essa superprodução grandiloquente, o cineasta Kalatozov pretendeu realizar o seu Outubro. Hoje em dia destaca-se apenas pelo trabalho de câmera magistral, que pode-se dar ao luxo de apresentar quase toda narrativa em planos-sequência e o apuro visual. A narrativa é construída em quatro sketches que apresentam a tomada de consciência de diversos setores da sociedade cubana para a legitimidade da revolução. Em maior ou menor tom, esse caráter abertamente propagandístico e didático chega a ser pueril, em alguns dos casos de conscientização, como quando apresenta um camponês que após os bombardeios de Sierra Maestra, engaja-se nas tropas de Fidel, quando acabara há pouco de expulsar um dos revolucionários de sua própria casa ou quando um jovem cubano descobre que sua amada, na verdade, prostitui-se com turistas americanos. Os mesmos pérfidos americanos que, na figura de marinheiros, pretendem estuprar uma cubana, que é salva, no último momento, por um compatriota, despertando mais uma vez a consciência da nação duplamente violada. Além da exploração da riqueza do país une-se a das mulheres. O humor involuntário volta a surgir no momento em que três guerrilheiros são capturados pelo exército de Batista e afirmam serem Fidel. Ou ainda quando, pontuando a narrativa de tempos em tempos, aparece a voz do próprio país afirmando o título do filme. Os melhores momentos, são os poucos que a poesia visual consegue ir além da aberta manipulação emocional e o tom de realismo socialista que domina o enredo, como as tomadas aéreas da sequência inicial, o momento em que o cadáver de um  jovem líder estudantil recém-morto é contraposto a sombra dos panfletos que ele acabara de soltar do alto de um edifício ou a sequência do cortejo que leva os estudantes mortos. Também interessante, mesmo que o objetivo seja meramente o escracho da subserviência do país antes da revolução, é uma longa sequência, logo no início do filme,  que apresenta um cantor cubano divertindo estrangeiros. Para frisar ainda mais sua influência da fase inicial de Eisenstein, o cineasta ainda filma sua própria sequência das escadarias de Odessa, na universidade de Havana. No caso dessa versão bilíngue em vídeo, restaurada por Scorsese e Coppola, ainda conta-se com o incômodo adicional da sobreposição da pouco articulada voz do narrador russo. ICAIC/Mosfilm. 141 minutos.

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