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quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Filme do Dia: Luciano Serra, Piloto (1938), Goffredo Alessandrini


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Luciano Serra, Piloto (Luciano Serra, Pilota, Itália, 1938). Direção: Goffredo Alessandrini. Rot. Original: Goffredo Alessandrini & Roberto Rossellini, baseado em argumento de Alessandrini & Francesco Masoero. Fotografia: Ubaldo Arata. Música: Giulio Cesare Sonzogno. Montagem: Giorgio Simonelli. Dir. de arte: Gastone Medin. Com: Amedeo Nazzari, Roberto Villa, Germana Paolieri, Mario Ferrari, Gugliemo Sinaz, Egisto Olivieri, Andrea Cecchi, Gino Mori.
Luciano Serra (Nazzari),piloto condecorado da I Guerra Mundial, abandona sua família, rejeitando o convite para ingressar no mundo dos negócios oferecido por seu rico sogro (Olivieri) e parte para viver na América. Seu filho, Aldo (Villa), ingressa na força aérea. Serra aceita o desafio de um voo do Rio para Roma, mas voa para a Etiópia, onde se engaja nas tropas italianas. Ele descobre em meio a batalha que seu filho se encontra gravemente ferido dentro de um avião e o pilota de retorno à Itália, em busca de reforços para o combate. Ferido por um guerrilheiro etíope, Serra não resiste aos ferimentos. Seu filho será condecorado com honras militares, em tributo não somente a si, como a seu pai.

Trata-se de um dos filmes que faz uma das apologias mais diretas aos valores caros ao fascismo dentre o numeroso ciclo de filmes de guerra produzidos sobretudo após o conflito na Etiópia de meados da década. Aqui há uma curiosa confluência entre o mito do herói individual, representado obviamente por Luciano Serra, e seu engajamento anônimo, inclusive com nome falso, no Exército, que representa o despojamento dos valores individualistas liberais tão prezado pelo fascismo. Porém, essa tentativa de aproximação dos valores fascistas, ao menos em termos dramático-narrativos está longe de conseguir excluir, de fato, a lógica melodramática centrada em questões de família (aqui, a relação pai-filho) que acaba ganhando muito maior destaque que a moldura mais ampla do conflito, em oposição a trilogia que Rossellini, aqui em sua primeira colaboração como co-roteirista, dirigiria nos idos da década seguinte. A menção explícita ao conflito africano e a ponte com a I Guerra Mundial, representado pelo herói são grandemente nacionalistas, assim como a imagem de um Aldo, espécie de Rambo avant la scéne, matando etíopes de dentro do cockpit de seu avião, mesmo gravemente ferido. No momento de sua condecoração, ele consegue se mostrar ainda mais impoluto do que o oficial que lhe condecora e que se encontra grandemente emocionado, observando as diretrizes do governo fascista por uma virilidade que excluísse laivos de sentimentalidade envolvendo os mortos ou as dolorosas separações familiares por conta do conflito. O episódio da fuga do protagonista ferido seria reaproveitado e feito menção no título de Un Pilota Ritorna (1941), de Rossellini. O filme, ao contrário de boa parte do ciclo de filmes de guerra conterrâneos  do período, também investe na mais convencional saída da morte como fator de heroicização ímpar para seu protagonista, mais comum nas produções alemãs. Para completar o seu caráter de propaganda irrestrita ao regime, além do filho do Duce ter supervisionado sua direção, afirma-se que discursos do próprio ditador constavam da versão original, tendo sido excluídos após o final da Segunda Guerra.  Dividiu o prêmio máximo do Festival de Veneza com ninguém menos que Olympia, de Leni Riefensthal. Aquila Cinematografica para Generalcine. 102 minutos.

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