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quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Filme do Dia: Anjo do Mal (1953), Samuel Füler

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Anjo do Mal (Pickup on South Street, EUA, 1953). Direção: Samuel Füller. Rot.Original: Samuel Füller, baseado num argumento de Dwight Taylor. Fotografia: Joseph MacDonald. Música: Leigh Harline. Montagem: Nick DeMaggio. Dir. de arte: George Patrick &  Lyle R. Wheeler. Cenografia: Al Orenbach. Figurinos: Travilla. Com: Richard Widmark, Jean Peters, Thelma Ritter, Murvyn Vye, Richard Kiley, Willis Bouchey, Milburn Stone, George Berkeley.
         Skip McCoy (Widmark) é um batedor de carteiras que assalta a prostitua Candy (Peters) no metrô. O policial Dan Tiger (Vye) tem que saber, a qualquer custo, quem é o assaltante, já que foi roubado um microfilme que seria repassado para agentes comunistas. Com a ajuda de Moe (Ritter), uma delatora, a polícia consegue saber quem se trata, porém McCoy nega tudo. Por outro lado Candy é pressionada por Joey (Kiley), responsável pela entrega do microfilme aos agentes russos a encontrar o assaltante. Candy também se intera com Moe sobre o paradeiro de quem lhe roubara e vai a seu encontro. McCoy inicialmente pede 500 dólares, porém quando sabe do que se trata, exige 25.000 mil. Moe é assassinada por Joey.  Candy, no entanto, frustra a tentativa de McCoy de faturar com o filme e consegue roubar o filme dele, levando-o à  polícia. Essa pede que Candy o entregue a Joey, para que possam flagrar o momento em que esse os entregará aos interessados. Joey o leva até o banheiro de uma estação do metrô, sob a vigilância de McCoy que não permitirá que a operação se suceda. Joey atira em Candy e esconde-se da polícia, porém logo é capturado. Candy sobrevive e leva em frente seu amor por McCoy.
          Embora impregnado de valores do cinema noir, esse filme de Füller também apresenta características que o distinguem desse estilo, como a recusa da atmosfera sombria e úmida e mais cenas diurnas que noturnas. A luminosa fotografia é um dos elementos que caracteriza uma proximidade maior com o realismo. Porém certos elementos persistem, como a misoginia, ainda que aqui o elemento feminino seja menos considerado como sinônimo de problemas, que como vítimas das agressões da contraparte masculina – além de apanhar de McCoy, Candy também tem que se esquivar das truculências de Joey. Obviamente existe uma conotação erótica acentuada na violência do casal, incomum nas produções da época. Em termos ideológicos, o filme é marcadamente conservador, afirmando que mesmo no seio da criminalidade existem distinções, sendo que nos ladrões comuns o elemento ético se faz superior ao dos comunistas, que não se esquivam em vender segredos do estado para o arqui-inimigo do país. Thelma Ritter, uma das mais notáveis coadjuvantes da época – presente, entre outros, em A Malvada (1950) e Janela Indiscreta (1954) – teve uma de suas maiores interpretações aqui. Trabalhando sobretudo com planos fechados, Füller também possui tino para dirigir cenas de violência, como a seqüência da briga no metrô. Seu estilo terá grande influência sobre a geração de cineastas da Nouvelle Vague, sobretudo Godard. 20th Century-Fox. 80 minutos.

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