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quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Filme do Dia: Toni (1935), Jean Renoir


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Toni (Toni, França, 1935). Direção: Jean Renoir. Rot. Original: Carl Einstein,  J. Lebert &  Jean Renoir. Fotografia: Claude Renoir. Música: Paul Bozzi. Montagem: Marguerite Renoir&Suzanne de Troeye. Com: Charles Blavette, Celia Montalván, Jenny Hélia, Max Dalban, André Kovachevitch, Edouard Delmont, Andrex, Paul Bozzi.
            O errante imigrante italiano Toni (Blavette) chega a um pequeno povoado francês que parece ser a esperança de um futuro melhor, onde passa a trabalhar numa pedreira. Torna-se amante da possessiva Marie (Hélia), porém sente-se grandemente atraído é pela espanhola Josefa (Montalván) que, no entanto, casa-se com o capataz Albert (Dalban), que aos poucos se apossa de todos os negócios do tio de Josefa. Os dois casais casam-se no mesmo dia. Marie, cansada com o interesse renitente de Toni por Josefa, tenta o suicídio e posteriormente rompe o relacionamento. Toni passa a morar numa colina. Gaby (Andrex), primo de Josefa, confidencia que irá fugir com a mesma, que não suporta mais os maus tratos que ela e o filho recebem de Albert. Toni afirma que ele é que deverá fugir com Josefa. Ao se dirigirem para a casa de Josefa, são testemunhas do assassinato do marido pela esposa. Gaby concorda que Josefa deve fugir com Toni e não com ele e abandona o local. Josefa e Toni planejam simular o suicídio de Albert e posteriormente fugir, mas o plano é frustado por um guarda que flagra Toni com o corpo de Albert e acredita ser ele o assassino. Toni não o desmente e, enquanto Josefa procura corrigir a injustiça, ele tenta fugir e é morto.
Com a maestria que lhe é habitual, Renoir conta essa história de amour fou, com toques de ousadia impensáveis para a produção corrente habitual da época, com relação a sexualidade e a emancipação feminina. Da mesma forma que seu Boudu, três anos antes, onde o miserável encontrava-se distante de sua abordagem cristã ou burguesa tradicional, a figura feminina da espanhola Josefa também é tratada sob um ponto de vista pouco usual para a moral de então. Ao lado de Jean Vigo, Renoir é considerado como o cineasta de maior talento dessa época, possuindo um tom igualmente libertário. A seqüência final, quando novos imigrantes italianos chegam e o amigo de Toni relembra como o mesmo chegara com igual ímpeto poucos anos antes provavelmente influenciou Visconti, que por sinal foi assistente de Renoir, em filmes como Rocco e Seus Irmãos (1960). Les Films Marcel Pagnol. 81 minutos.


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