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sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Filme do Dia: India:Matri Bhumi (1959), Roberto Rossellini


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India: Matri Bhumi (Itália/França, 1959). Direção: Roberto Rossellini. Rot. Original: Fereydoun Hoveyda, Roberto Rossellini & Sonali Senroy DasGupta, a partir de argumento de Rossellini. Fotografia: Aldo Tonti. Música: Philippe Arthuys. Montagem: Cesare Cavagna.

Documentário e drama encenado se confundem nessa aproximação da Índia, onde através de uma moldura mais ampla, observa-se algumas narrativas envolvendo histórias “menores” no interior do país, “mais autêntico” como afirma a voz over, provavelmente do próprio realizador. Acompanha-se tanto o cotidiano de trabalho de um grupo de elefantes e seus guias, passando por um jovem casal, cujo homem trabalhou em uma monumental represa e um velho homem que morre no meio da travessia inóspita para um popular festival religioso, chegando a esse somente seu macaco de estimação e, por fim,  um velho senhor que, não mais podendo trabalhar, orienta as ações dos filhos em sua moradia em meio a floresta. Seu temor, de que uma tigresa ferida pelos porcos-espinhos que matou um homem sofra o revide e seja morta por esses, faz com que faça uma fogueira que busca afugentá-la da região. Há um teor de convivência tolerante com as diferenças, sendo esse exemplo apenas um dentre vários. A disparidade das histórias narradas envolve tanto as que se apresentam com maior imperativo documental (como a dinâmica dos elefantes e seus guias) e centradas quase que meio a meio no destaque entre humanos e animais até o restante, onde a dinâmica das relações humanas prevalece e também o episódio curioso em que o animal é protagonista (o macaco que, ameaçado por seus similares selvagens, é adotado e passa a fazer parte de um número amestrado). Talvez a sequencia mais comovente do filme seja a que apresente o macaco acuado por uma multidão de aves de rapina que sobrevoam a área onde ele e seu dono, agora morto, encontram-se, esperando o momento de se aproveitarem da carne apodrecida. Com um tema que potencialmente serve como uma luva para sua visão panteísta de mundo, Rossellini efetiva uma realização distante de tudo que havia produzido anterior e posteriormente. Vai nesse sentido o narrador que, após observar a cremação de um morto, afirmar que quando o homem morre sua vida não se extingue, será reencarnada, mas como ninguém sabe em quem, isso propicia a compreensão de que todos os homens são irmãos (se tivesse estendido tal relação a todos os seres viventes ou ao menos a todos os animais, talvez cumprisse ainda mais de perto com o espírito do filme, que não chega a tocar nas disparidades e conflitos étnicos do país e observa de forma algo naturalizada o tratamento truculento do marido para com sua esposa). Mesmo com toda sua atenção voltada para narrativas situadas nas províncias da Índia, é curioso que o filme inicie e finalize com imagens de Bombaim, num movimento que pretende simular o do contato primeiro de alguém que vem de fora, sua jornada pelo gigantesco território e seu retorno e partida, algo ainda mais patente quando a narração reforça se tratar a cidade a porta de entrada do país. Comparações com outras produções de grandes realizadores em culturas distintas das suas, e também efetivando uma mescla entre teor documental e dramatizado tais como Tabu, de Murnau e Flaherty, Que Viva Mexico, de Eisenstein ou It’s All True, de Welles são algo inevitáveis. Um dos filmes menos conhecidos do realizador, aqui se trata de versão restaurada em 2011. Aniene Film/UGC. 90 minutos.

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