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quarta-feira, 29 de abril de 2015

Filme do Dia: Beijos Roubados (1968), François Truffaut

Beijos Roubados ( Baisers Volés, França, 1968). Direção:  François Truffaut. Rot. Original: François Truffaut, Claude de Givray &  Bernard Revon. Fotografia: Denys Clerval. Música: Antoine Duhamel. Montagem: Agnès Guillemot. Dir. de arte: Claude Pignot. Com: Jean-Pierre Léaud,  Claude Jade, Daniel Ceccaldi,  Claire Duhamel, Delphine Seyrig,  Michel Lonsdale,  Serge Rousseau,  Harry-Max,  André Falcon,  Catherine Lutz,  Jacques Rispal,  Martine Brochard. 
      Dispensado do serviço do Exército, por instabilidade emocional, Antoine Doinel (Léaud) vai diretamente a um prostíbulo. Depois  vai procurar a família protetora, os Darbon. Enquanto a mãe lhe conta que Christine (Jade), sua filha e objeto do amor de Doinel se encontra viajando com amigos, Lucien Darbon (Ceccaldi), liga para um amigo afim de que encontrem uma vaga como porteiro para o jovem. Doinel, acaba não se mantendo durante muito tempo no hotel, já que permite que a Sra. Colin (Brochard) seja pega em adultério por um detetive e marido traído. Convidado por Henri (Harry-Max), o detetive, passa então a trabalhar na mesma agência que fizera a investigação. Sua primeira missão é a de seguir um mágico que é objeto de paixão do misterioso sr. Albani que encomendara a investigação. Porém fracassa nessa investigação e na próxima. No ínterim visita Christine, lhe conta sobre o novo emprego, e a agarra na adega, quando vão pegar um vinho. É chamado para acompanhar o estranho pedido de outro cliente, Tabard (Londsale), que quer descobrir porque é desconsiderado por todos, da mulher às suas empregadas que trabalham na loja de sapatos do qual é proprietário. Após um falso teste de seleção, Doinel é aprovado como novo empregado da loja. Logo sente-se imensamente atraído pela  mulher de Tabard, Fabienne (Seyrig). Quando esta sabe, chama-o para tomar café com ele em seu apartamento. Doinel, consciente das implicações que pode causar na investigação e dividido entre Christine Darbon e a Sra. Tabard, foge desesperado da casa e pede demissão da firma. O sr. Albani tem um ataque histérico quando percebe que o ex-companheiro lhe trai e ainda por cima é casado. Na manhã seguinte, ela o surpreende na cama e faz o trato de fazerem amor e de depois ele nunca mais vê-la. Conta tudo para o chefe, quando uma outra detetive percebe que Fabienne Tabard incomumente se dirige cedo da manhã para o apartamento onde mora Doinel. É duramente criticado pelo dono da agência, o sr. Blady (Falcon) que só para de brigar com ele, quando Henri morre num ataque fulminante quando fala no telefone com um cliente. Passa a trabalhar como eletricista à domicílio. Christine Darbon o chama em sua casa, após avariar a televisão propositalmente, e ambos fazem as pazes. Quando se encontram sentados em um parque, um homem (Rousseau), que segue Christine a vários dias,  se aproxima e consegue declarar seu amor por ela.
     Terceiro filme do ciclo Antoine Doinel, após Os Incompreendidos (1959) e Antoine e Colette (1962). Apesar de trabalhar com muitas características presentes em Domicílio Conjugal, realizado com praticamente a mesma equipe dois anos após, como a presença enfática do plano/contraplano nos diálogos, de ambos trabalharem detalhes e pequenos ridículos do cotidiano como a mão enluvada e nervosa do cliente homossexual da agência de detetives, o resultado aqui soa mais vivo e espontâneo. Como se um certo caráter improvisado acabasse dando mais brilho as interpretações, com acuidado destaque para todos os coadjuvantes, que não soam como meros tipos, como no filme posterior.  Truffaut  consegue explorar com mais felicidade a graça desajeitada de seus personagens, principalmente uma certa ingenuidade quixotesca, para não dizer imatura, do personagem vivido por Léaud, que com seu passo miúdo, ao atravessar a praça e retornar ao seu apartamento após o encarceramento militar imediatamente nos faz relembrar o garoto de dez anos antes, em Os Incompreendidos. Mesclando aspectos autobiográficos com pura farsa, o filme não deixa de ser autocomplacente como todos os outros longa-metragens do ciclo Doinel que seguiram o primeiro, buscando em alguns momentos um efeito de non-sense que evoca o Buñuel auto-paródico de O Discreto Charme da Burguesia (1972) e O Fantasma da Liberdade (1974), como na seqüência final do parque. Mais uma alusão ao cinema de  Jean Vigo, cineasta que como Truffaut procurava trabalhar com a graça desastrada dos movimentos humanos em L’Atalante (1934), com o casal Tabard, nome do personagem de Zéro em Conduta (1932). Lês Films du Carrosse/Les Productions Artistes Associes. 90 minutos.

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