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segunda-feira, 27 de abril de 2015

Filme do Dia: A Solidão de uma Corrida Sem Fim (1962), Tony Richardson

 A Solidão de uma Corrida Sem Fim (The Loneliness of the Long Distance Runner, Reino Unido, 1962). Direção: Tony Richardson. Rot. Original: Alan Sillitoe, baseado em seu próprio argumento. Fotografia: Walter Lassally. Música: John Addison. Montagem: Antony Gibbs. Dir. de arte: Ralph W. Brinton. Figurinos: Sophie Harris. Com: Tom Courtenay,  Michael Redgrave, Avis Bunnage,  Alec McCowen,  James Bolam,  Joe Robinson, Dervis Ward, Topsy Jane,  Julia Foster,  Peter Madden, Philip Martin.
        Colin Smith (Courtenay) é um jovem proletário sem maiores perspectivas de futuro. Seu pai (Madden), operário, convalesce de uma doença cardíaca terminal, enquanto sua mãe (Bunnage) não se constrange em trazer o amante para casa antes mesmo da morte do marido. Smith se refugia desse cotidiano cinzento planejando pequenos delitos com o amigo Brown (McCowen), conhecendo Audrey (Jane). Juntamente com Brown, Audrey e Gladys (Foster), amiga de Audrey e namorada de Brown, partem para umas pequenas férias às custas do dinheiro de Smith, na verdade uma pequena parcela das 500 libras recebidas por sua mãe com a morte do marido. Discutindo com o amante da mãe, Colin é expulso de casa pela mãe, que afirma que ele só deve retornar se tiver dinheiro. Junto com Brown, assaltam uma padaria. Porém Colin passa a ser perseguido por um detetive da polícia (Ward), que acredita na sua culpa no caso, terminando por incriminá-lo. Levado a um reformatório, Smith passará a ser o favorito do diretor do reformatório (Redgrave), que acredita que ele tem boas chances de vencer a corrida de longa distância nas olímpiadas, em que pela primeira vez o reformatório enfrentará um colegio público. Porém o favoritismo de Smith provoca, após o desaparecimento de Stacey (Martin), que era tido anteriormente como favorito, uma rebelião contra a comida do reformatório. Smith reencontra  o amigo Brown no reformatório. Pressionado por inúmeras lembranças e confuso com a acusação de seguir o direcionamento da chefia do reformatório, Smith desiste de vencer a corrida há poucos metros do final, deixando que o favorito da escola pública o ultrapasse, e tendo que voltar a um cotidiano não só sem favoritismo, como discriminatório.
      Esse drama de um dos expoentes do chamado Free Cinema, é grandemente influenciado por Os Incompreendidos (1959) de Truffaut:  a adolescência problemática e os pequenos furtos divididos com um camarada; o ambiente proletário; a presença um pai fraco e uma mãe dominante e mantenedora de relação extra-conjugal; a vida no reformatório. Menos poético que seu contraparte francês alia, no entanto, um forte conteúdo de crítica social ausente no filme de Truffaut, assim como na produção inglesa anterior, apresentando personagens sem glamour e um naturalismo precursor do cinema britânico dos anos 70 e 80 e de cineastas como Ken Loach e Stephen Frears, em filmes como A Grande Família (1991). Como no filme de Truffaut, pesa em grande parte para o equilibrado resultado final a bela fotografia e a boa interpretação do protagonista. A narrativa é apresentada progressivamente em flashbacks, que representam as lembranças de Smith nos suas treinos solitários de preparação para a corrida. British Lion Film Corporation. 104 minutos.


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