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segunda-feira, 20 de abril de 2015

Filme do Dia: Beleza Americana (1999), Sam Mendes


Beleza Americana (American Beauty, EUA, 1999). Direção: Sam Mendes. Rot. Original: Alan Ball. Fotografia: Conrad L. Hall. Música: Thomas Newman &  Pete Townshend. Montagem: Tariq Anwar & Christopher Greenbury. Dir. de arte: Naomi Shohan & David Lazan. Cenografia: Jan K. Bergstrom. Figurinos: Julie Weiss. Com: Kevin Spacey, Annette Bening, Thora Birch, Wes Bentley, Mena Suvari, Peter Gallagher, Chris Cooper, Allison Janney.
         Lester Burnham (Spacey) aparentemente vive tranquilo com sua família em um subúrbio bem razoável de uma cidade americana. Porém dentro de casa a realidade demonstra ser um pouco mais caótica. Insatisfeito sexualmente com a esposa, que apenas pensa em negócio, com a filha, que afirma que não lhe dá atenção e no trabalho, só conseguindo ter prazer ao longo do dia ao masturbar-se no chuveiro. Pede sua demissão e vai trabalhar em um fast food. Enquanto isso a filha, Jane (Birch) interessa-se pelo novo vizinho, o excêntrico Ricky Fitts (Bentley), que a filma às escondidas de seu quarto, para a diversão de sua amiga Angela (Suvari), objeto dos sonhos sexuais do pai. A mãe, Carolyn (Benning) por sua vez, passa a se relacionar com alguém que compartilha a mesma sede de trabalho e ascensão profissional, Buddy (Gallagher), conhecendo-o em uma festa, em que Ricky fuma maconha com Lester. Ricky vive em uma família onde a mãe (Janney) se encontra entorpecida pela traumática forma que o marido, um militar reformado (Cooper), observa o mundo, tendo a mania particular vigiar o filho para que não volte a usar drogas. A situação se complexifica no dia em que Lester flagra Buddy e Angela juntos no seu serviço e que Ricky volta a apanhar do pai, que acredita que o viu mantendo relações sexuais com Lester. Ricky convida Jane a fugir para Nova York, desprezando ambos as acusações de Angela de que ele é maníaco. Lester, grandemente decepcionado com a esposa, surpreende-se com a visita inesperada do vizinho, o Coronel Fitts, que após conversar com ele aumenta ainda mais as suspeitas sobre sua homossexualidade e inesperadamente o beija. Ainda aturdido com o que acontecera, Lester encontra Angela sozinha e deprimida em sua casa e quando iniciam uma relação sexual, ele interrompe a ação quando esta afirma ser virgem. Lester é então morto pelo Coronel, para a surpresa do casal de namorados e de Carolyn.
           Retrabalhando elementos dos dramas de costume tradicionais, Mendes faz mais uma sátira ao Sonho Americano, talvez menos cínica em sua observação dos personagens que Felicidade de Todd Solondz, e certamente influenciado pelo tom anárquico-mórbido de David Lynch, representado sobretudo por Ricky, que não só se delicia filmando aves mortas como não para de admirar o cadáver do pai da namorada em meio a poça de sangue. Com enquadramentos seguros, montagem dinâmica e uma bem cuidada fotografia (do veterano Hall, que entre inúmeros outros filmes, tem no seu currículo uma participação no belo filme de Huston, Cidade das Ilusões), o filme foi superestimado em sua originalidade, não se encontrando muito distante da média da produção americana independente do momento. Enquanto Spacey se mostra convincente na pele do protagonista, Benning é simplesmente caricata. A pretensa profundidade que parte do universo superficial das comédias de situação em que se ampara inicialmente não chega a ocorrer. O recurso do protagonista, já morto, narrar a própria história de seus últimos dias já havia sido utilizada em Crepúsculo dos Deuses (1950) de Wilder, entre outros. A relação entre Lester e Angela, por outro lado, é inspirada em uma relação semelhante a que é o tema central de Lolita (1962), de Kubrick. Também existem referências a Janela Indiscreta (1954) de Hitchcock, na personagem do voyeur Ricky. Já o humor irônico aliado aos efeitos visuais que acompanha as fantasias de Lester são muito semelhantes aos de vários outros filmes, como O Grande Lebowski (1998), de Joel Coen. DreamWorks/Jinks/Cohen Company. 122 minutos


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