CONTRA O GOLPE CIVIL EM CURSO E A FAVOR DA DEMOCRACIA

terça-feira, 21 de abril de 2015

Filme do Dia: Histórias Cruzadas (2011), Tate Taylor

Histórias Cruzadas (The Help, EUA, 2011). Direção: Tate Taylor. Rot. Adaptado: Tate Taylor, a partir do romance de Kathryn Stockett. Fotografia: Stephen Goldblatt.Música: Thomas Newman. Montagem: Hughes Winborne. Dir. de arte: Mark Ricker & Curt Beech. Cenografia: Rena DeAngelo. Figurinos: Sharen Davis. Com: Emma Stone, Viola Davis, Bryce Dallas Howard, Octavia Spencer, Jessica Chastain, Cicely Tyson, Sissy Spacek, Mike Vogel, Ahna O’Reilly, Mary Steenburgen.
No início dos anos 60, numa pequena cidade do Mississipi, no sul dos Estados Unidos, Skeeter (Stone) é uma garota branca que, traumatizada com a demissão de sua ama de infância na época da universidade leva a frente o difícil projeto de reunir todas as domésticas negras da região, para que contem seus testemunhos, para sua posterior publicação sobre o formato de livro. As duas únicas mulheres que inicalmente concordam são Aibileen (Davis) e Minny Jackson (Spencer). As humilhações e sofrimentos cotidianos vivenciados pelas empregadas se soma a morte de Kennedy, porém uma voz de esperança surge igualmente com o movimento pelos direitos civis. Após o evento traumático do assassinato de um membro da comunidade negra, Skeeter consegue o apoio das outras mulheres. O livro é lançado e se torna um grande sucesso.
Filme que se filia a uma tradição de retorno aos “anos dourados” norte-americanos como pretexto para uma reflexão sobre a hipocrisia, o racismo e consequente apartheid racial e as relações entre gêneros. O universo que o filme trata está longe de ser desconhecido do espectador minimamente atento, a forma com que é forjado é a do melodrama sentimental – desde o início a motivação que leva Skeeter a se propor escrever sobre as mulheres negras e suas constantes humilhações no ambiente doméstico dos brancos tem a ver com a súbita desaparição de sua ama da infância. O fato de ter como protagonista e eixo da ação virtuosa uma jovem branca faz com que fuja de um cinema no qual a trama é observado de fato a partir da perspectiva do negro sem tais mediações e potencialmente alcance um maior diálogo com o público. E o fato da jovem Skeeter possuir um comportamento que a distancia do padrão gomalinado e fútil com que as jovens de sua idade são descritas, o mais próximo possível da caricatura associada a esse período, certamente a aproximam do público contemporâneo negro ou sobretudo branco com o qual o filme possivelmente pretende dialogar. O foco é, sem dúvida, as mulheres, não existindo nenhum homem que ganhe qualquer relevância maior e as interpretações são bastante afinadas, facilitando ainda mais o processo de identificação irrestrita, sobretudo no caso de Chastain, Spencer e Spacek. Taylor é um diretor bissexto, cuja carreira tem sido mais regular como ator. Dreamworks SKG/Reliance Ent./Participant Media/1492 Pictures/Harbinger Pictures para Touchstone Pictures/Walt Disney Studios. 146 minutos.


2 comentários:

  1. A abordagem que o roteiro faz é fantástica!
    Realista e emocionante
    Beijão..
    Além de libertadora.
    Gosto demais deste filme.
    Valeu Cid.

    ResponderExcluir
  2. Concordo com você, é um filme bem interessante. Beijos, Beth.

    ResponderExcluir