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domingo, 19 de abril de 2015

Filme do Dia: Woodstrock - 3 Dias de Paz, Amor e Música (1970), Michael Wadleigh

Woodstock  - 3 Dias de Paz, Amor e Música (Woodstock, EUA, 1970). Direção: Michael Wadleigh. Fotografia: Malcolm Hart, Don Lenzer, Michael Margetts, David Myers, Richard Pearce, Michael Wadleigh & Al Wertheimer. Montagem: Jere Huggins, Thelma Schoonmaker, Martin Scorsese, Michael Wadleigh, Stanley Warnow, Yeu-Bun Yee.
Monumental documentário tanto em metragem quanto em representação do desbunde da cultura hippie em seu auge. Números musicais de Richie Havens, Canned Heat, Joan Baez, The Who, Sha-Na-Na, Joe Cocker, Country Joe & The Fish, Arlo Guthrie, Crosby, Stills & Nash, Ten Years After, John Sebastian, Santana, Sly & The Family Stone, Jefferson Airplane, Janis Joplin e Jimmy Hendrix entremeados por cenas de observação (por vezes participante, como quando um dos cinegrafistas aceita um cigarro de maconha oferecido por um dos entrevistados) de costumes, entrevistas e uma pequena crônica dos eventos, como os metereológicos, no caso de um temporal que assola a fazenda onde ocorreu o festival. Entre os destaques musicais a célebre e inspirada interpretação de Cocker com With a Little Help from My Friends, Baez cantando Swing Low, Sweet Chariot em capela  numa impressionante tranqüilidade aparente e o hino americano relido por Hendrix com intervenções evocativas das bombas caindo sobre o Vietnã. Já no campo dos costumes e da crônica dos eventos, os banhos coletivos, a hilaridade e o nonsense lisérgico de certos depoimentos e o discurso emocionado de Max Yasgur, proprietário do local. Ainda que o filme aparentemente embarque sem restrições na onda do “paz e amor” e exaltação das drogas vendidas pelos organizadores do festival de um modo que talvez possa sugerir um excessivo oportunismo,  tampouco deixa de apresentar sejam depoimentos de moradores locais perturbados com a repentina invasão, referência a mortes, a falta de estrutura que compromete os últimos momentos do festival e um cenário desolador ao final, repleto de lixo e dos poucos remanescentes, digno de uma distopia  de ficção científica. No plano da imagem, o uso maciço de grandes angulares, tela dividida, com imagens de locais distintos ou não, exibição constante dos equipamentos de filmagem e sobreposições sonoras de gravações em estúdio para ilustrar cenas que se acabam convertendo em verdadeiros clipes dentro do filme (como no caso da bela canção de Guthrie Coming into Los Angeles) o afastam da estética do Cinema Direto, fazendo-se a todo momento ser lembrado enquanto filme que traz uma representação sobre o festival. Destaque para a acuidade que os cinegrafistas registram detalhes como a arcada dentaria superior ausente de Heavens, a pequena névoa emitida pela voz de Baez ecoando na noite ou o histrionismo da face do vocalista do Ten Years After. A presença de Jefferson Airplane e Joplin, assim como de Voodoo Child de Hendrix não foram incluídas à época do lançamento nas salas de cinema, tendo sido incorporadas a essa versão do diretor, realizada para comemorar os 25 anos do evento, mais de quarenta minutos mais longa que a original. National Film Registry em 1996. Wadleigh-Maurice para Warner Bros. 228 minutos. 

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