CONTRA O GOLPE CIVIL-MIDIÁTICO-JUDICIÁRIO EM CURSO E PELO RETORNO DA DEMOCRACIA

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Filme do Dia: Bonnie & Clyde (1967), Arthur Penn


Resultado de imagem
Bonnie & Clyde – Uma Rajada de Balas (Bonnie and Clyde, EUA, 1967). Direção: Arthur Penn. Rot. Original: David Newman & Robert Benton. Fotografia: Burnett Guffrey. Música: Charles Strouse. Montagem: Dede Allen. Dir. de arte: Dean Tavoularis. Cenografia: Raymond Paul. Figurinos: Theadora Van Runkle. Com: Warren Beatty, Faye Dunaway, Micheal J. Pollard, Gene Hackman, Estelle Parsons, Denver Pyle, Dub Taylor, Gene Wilder, Evans Evans, Mabel Cavitt.

1934. A jovem Bonnie Parker (Dunaway) é motivada a fazer parte das ações criminosas de Clyde Barrow (Beatty). Unem-se a dupla posteriormente o então balconista C.W. Moss (Pollard), o irmão de Barrow, Buck (Hackman) e sua esposa Blanche (Parsons). O quinteto vivencia vários assaltos a banco e carros, fugas e tiroteios com a polícia. O cerco ao grupo começa a se tornar iminente após a captura de Buck e Blanche. Essa, fragilizada com a morte do marido, sua captura pela polícia e a visão perdida após um tiro no rosto, entrega informações importantes para Frank Hamer (Pyle), caçador de bandidos texano que já havia sido humilhado pelo grupo. Feridos, Bonnie e Clyde buscam refúgio na casa do pai de C.W., Ivan (Taylor), porém o velho não gosta de ver o filho envolvido com a dupla. Mancomunado com a polícia, finge estar trocando um pneu como pretexto para a emboscada onde o casal é fuzilado à queima-roupa.

Considerado, juntamente com A Primeira Noite de um Homem, do mesmo ano, como marco inaugural da New Hollywood, em que a produção do cinema autoral europeu começa a influenciar de sobremaneira à norte-americana, o filme remete a uma tradição que não mesmo se iniciando com ele – vários noirs possuíam algum paralelo, apresentando casais fora-da-lei e Mortalmente Perigosa de Joseph H. Lewis o antecipa, em vários aspectos, em quase duas décadas, tornar-se-á, no entanto, referência sobretudo em relação aos limites em que a encenação da violência passa a ganhar nas telas do cinema, tratando-se do primeiro filme a fazer uso extensivo de saquinhos de “sangue” que explodiam com os tiros, além de outras licenças de maior descrição gráfica de atos violentos. Beatty, produtor, encarna um Clyde sem energia sexual que, a determinado momento, chora ao perceber a fuga de Bonnie do grupo. Dunaway alcança o estrelato relativamente breve que é destinado às atrizes hollywoodianas (mais ou menos até Rede de Intrigas, de menos de dez anos depois). Pollard e Parsons vivenciam tipos um tanto caricatos de caipiras. Cavitt é uma moradora local e não uma atriz profissional, não aparecendo em qualquer outro filme, e emprestando algo de sua espontaneidade e estranhamento  com a situação – trata-se do inesperado surgimento da filha com a gangue para reencontrar a família -  ao personagem da mãe de Bonnie. Grande parte do sucesso do filme certamente, tal como o de Nichols, provavelmente adveio de seu flerte um tanto populista e fácil com uma visão anti-conformista dos rebeldes, angariando alguma simpatia entre os despossuídos como apresentado numa cena em um acampamento improvisado. Procurando ser poético no momento do reencontro de Bonnie e sua mãe, fazendo uso de um filtro que deixa a imagem algo emaciada e evocativa  de uma bitola não profissional sem perder nunca a bússola da espetacularização, como demonstra o massacre final em câmera lenta, recurso que posteriormente se tornará uma das marcas registradas de Sam Peckinpah. Malick, mesmo sofrendo visível influência desse filme, como praticamente todos os que tematizaram algo semelhante posteriormente (Assassinos por Natureza, nesse sentido, pode ser considerado como uma atualização do gênero tal como o filme de Penn o fora em relação ao de Lewis) traz um estilo bastante distinto, ambíguo, nada indulgente ou populista e distante da espetacularização com seu longa de estreia, Terra de Ninguém.  O musical que o casal assiste no cinema com C.W é  Cavadoras de Ouro (1933), que mesmo não sendo dirigido por ele, apresenta uma das típicas coreografias extravagantes de Busby Berkeley.  National Film Registry em 1992. Warner Bros./Seven Arts/Tatira-Hiller Prod. para Warner Bros./Seven Arts.  111 minutos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário