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domingo, 24 de dezembro de 2017

Filme do Dia: A Cidade onde Envelheço (2016), Marília Rocha

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Cidade onde Envelheço (Brasil, 2016). Direção: Marília Rocha. Rot. Original: João Dumans, Thais Fujinaga & Marília Rocha. Fotografia: Ivo Lopes Araújo. Montagem: Francisco Moreira.  Dir. de arte: Thaís de Campos. Com: Elizabeth Francisca, Francisca Manuel, Paulo Nazareth, Jonnata Doll, Wanderson Dos Santos.
Uma portuguesa que mora em Belo Horizonte, Francisca (Manuel), recebe uma conterrânea, Teresa (Francisca). Inicialmente distantes e apresentando temperamento bastante distinto, Francisca, aparentemente mais regrada, incomoda-se com a pressa que Teresa se apossa do espaço do apartamento para trazer amigos, um rapaz que conheceu e vivencia uma relação não especificada por ela própria (“hoje não existe mais namorar”) e até um cachorro, que pertence a ele. Aos poucos, no entanto, as duas constroem uma amizade crescentemente cúmplice. Chegam a visitar apartamentos para uma nova moradia, mas Teresa para completa surpresa de Francisca, afirma que pretende retornar a Portugal.
O filme passeia entre um delicado panorama das duas garotas, centrado sobretudo em uma cartografia subjetiva que é o elemento tipicamente contemporâneo que se alia ao fato das duas não serem atrizes e vivenciarem situações muito próximas de si, gerando uma “autenticidade” na melhor tradição neorrealista. Ao se centrar nos aspectos mais comezinhos do cotidiano das duas personagens não existe a ausência de momentos que incorporam certas facilidades que criem uma empatia com o público. Porém, de uma maneira geral, é uma bem construída espirituosidade que se destaca. Um dos grandes trunfos do filme, sem dúvida alguma, é se afastar da aparente polaridade que se esboça ao início, com Teresa enquanto mais aberta para o mundo e simpática, e Francisca como mais turrona, controladora e racional. Posteriormente se observará fragmentos da subjetividade de Francisca, que desconstroem qualquer ranço de insensibilidade, assim como um momento em que entrar em crise de “desterro” no Brasil, enquanto Teresa demonstra bem menor tolerância para a falta de acabamento e improviso dos equipamentos brasileiros, assim como para com a “folga” dos brasileiros, sempre a pedir sem o menor pudor, por exemplo, para fumarem parte do cigarro dela, para ficar em apenas uns poucos exemplos dessa desconstrução. Vitrine Filmes. 99 minutos.


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