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domingo, 17 de dezembro de 2017

The Film Handbook#151: Stanley Kramer

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Stanley Kramer
Nascimento: 29/09/1913, Hell's Kitchen, Nova York, EUA
Morte: 19/02/2001,  Los Angeles, Califórnia, EUA
Carreira (como diretor): 1955-1979

Extremamente bem sucedido durante o final dos anos 50 e idos de 60, Stanley Earl Kramer foi tanto propositor quanto vítima de uma crença equivocada que os "filmes de mensagem" podem mudar o mundo. Aliás, apesar de suas boas intenções, seus filmes exalam complacência, sua pregação soando tão clichês quanto o sistemático esquadrinhamento pelo realizador de questões "atuais".

Anteriormente montador e roteirista, Kramer fez primeiro seu nome enquanto produtor independente trabalhando com Mark Robson, Richard Fleischer, Laslo Benedek, Zinnemann e Dmytryk: o primeiro filme que produziu, Um Gosto e Seis Vinténs/The Moon and Sixpence, de Albert Lewin, foi de longe o seu melhor; Espíritos Indômitos/The Men, Matar ou Morrer/High Noon e A Nave da Revolta/The Cainy Mutiny seus mais famosos. Em 1955 ele voltou-se à direção com Não Serás um Estranho/Not as a Stranger, um melodrama medíocre mas sensivelmente interpretado sobre os sacrifícios feitos por estudantes de medicina em busca de uma carreira de sucesso. Então, após o ridículo épico sobre a guerra napoleônica, Orgulho e Paixão/The Pride and the Passion, Kramer encontrou sua vocação numa série de bombásticos dramas de consciência social que deram vazão a personagens simplistas e estereotipado. Racismo (Acorrentados/The Defiant Ones, Adivinhe Quem Vem Para Jantar/Guess Who's Coming to Dinner), guerra nuclear (A Hora Final/On the Beach) e Fascismo (Julgamento em Nuremberg/Judgment at Nuremberg) percorreram a gama de sentimentos abertos do liberalismo de Kramer. Somente O Vento Será Tua Herança/Inherit the Wind>1, no qual um professor é preso e condenado por ensinar a teoria evolucionista de Darwin em um Sul Profundo povoado por fanáticos fundamentalistas, permanece divertido, graças a suas interpretações superiores e uma atmosfera genuinamente tórrida. Mesmo aqui, no entanto, a ação é atravancada por sermões extensos e verborrágicos no tribunal, os argumentos sendo carregados e controversos.

A partir do momento que Kramer se movia para os anos 60, ele tentava diluir sua seriedade com arranjos mais leves, mas tanto Deu a Louca no Mundo/It's a Mad, Mad, Mad, Mad World>2 (uma farsa pastelão épica) quanto A Nau dos Insensatos/Ship of Fools (um melodrama no estilo Grande Hotel, ambientado no eclodir da Segunda Guerra Mundial) apresentavam um embaraçoso e destituído de humor senso dramático e uma dramática dependência de rendundantes aparições de rostos conhecidos em pontas. Inevitavelmente, com a sociedade se tornando mais permissiva e complexa com o advento da era hippie e a escalada da Guerra do Vietnã, as confortáveis trivialidades liberais de Kramer pareceram crescentemente irrelevantes: R.P.M - Revoluções Por Minuto/R.P.M foi uma análise lamentavelmente inadequada da agitação estudantil; Poço de Ódio/Oklahoma Crude, uma banal condenação das práticas de grandes negócios e The Runner Stumbles, um risível drama sobre a crise de fé com um mau escalado Dick Van Dyke enquanto pastor atormentado por seus anseios físicos por uma freira.

Não muito surpreendentemente, os últimos filmes de Kramer somente alcançaram lançamento limitado; o melhor que pode ser dito de sua obra inicial é que ela parece tocar o coração de um público ansioso por filmes que lisonjeiam o sentido de sua própria hipócrita e indulgente tolerância.

Cronologia
Kramer pertence a uma tradição liberal que compreende Zinnemann, Dmytryk e Richard Brooks; seu gosto pelo "filme-tema" encontrará paralelos posteriores na obra de Richard Attenborough e Martin Ritt.

Leituras Futuras
Stanley Kramer: Film Maker (Nova York, 1978), de Donald Spoto.

Destaques
1. O Vento Será Tua Herança, EUA, 1960 c/Spencer Tracy, Fredric March, Gene Kelly

2. Deu a Louca no Mundo, EUA, 1963 c/Spencer Tracy, Sid Caesar, Ethel Merman, Edie Adams

Fonte: Andrew, Geoff. The Film Handbook. Londres: Longman,1989, pp. 152-3.