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quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Filme do Dia: Othello (1922), Dimitri Buchowetzki


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Othello (Alemanha, 1922). Direção: Dimitri Buchowetzki. Rot. Adaptado: Dimitri Buchowetzki & Carl Hagen, baseado na peça de Shakespeare. Fotografia: Karl Hasselmann & Friedrich Paulmann. Dir. de arte: Fritz Kraenke & Karl Machus. Com: Emil Jannings, Werner Krauss, Ica von Lenkeffy, Theodor Loos, Ferdinand von Alten, Friedrich Kühne, Magnus Stifter, Lya De Putti.

Othello (Jannings) é o mais amado combatente de Veneza, respeitado por sua intérprida defesa da nação. Ao retornar da guerra, ele decide se casar com Desdêmona (Lenkeffy) para o desespero de seu pai, Brabantio (Kühne), que apela sem suceso junto ao Duque de Veneza.. Othello, diante do Duque, decide ter como braço direito o seu leal Cássio (Loos), para a fúria e despeito de Iago (Krauss), que começa a elaborar artimanhas que envenenem a relação de Cássio com Othello, semeando a dúvida sobre a fidelidade de Desdêmona. Iago se apodera do lenço de Desdêmona com sua aia e esposa dele, Emilia (Putti). Ao dizer que encontrou o lenço perdido entre os pertences de Cássio, provoca a gota d´água para que Othello mate sua amada. Emilia logo desfaz o mal entendido. Othello assassina Iago e se mata logo após. Quando a multidão enfurecida se aproxima do castelo, Cássio afirma que Othello já se encontra morto.

Essa pujante adaptação de Shakespeare, provavelmente a melhor efetuada durante o cinema mudo, acaba limando todo e qualquer transbordamento literário-poético da obra do bardo para se centrar única e exclusivamente na ação da peça. Tal opção, que poderia resultar em falha, demonstra o oposto. Muito se deve ao bom nível de interpretação do elenco, com a presença quase obrigatória de dois dos monstros sagrados do cinema alemão do período, Krauss e Jannings e a cenografia elaborada, que por vezes se aproxima de iludir enquanto locação real. A opção por ficar extremamente colado ao enredo da peça ressalta ainda mais, de uma forma talvez um pouco excessivamente mecânica, o papel do vilão como articulador de todas as intrigas. Jannings, no entanto, com sua habitual habilidade para encarnar os tipos mais diferentes com maquiagens as mais diversas (algo semelhante ao que seu contemporâneo Lon Chaney fazia junto ao cinema norte-americano), consegue expressar todo o peso da dúvida cruel que o atormenta e dos sentimentos cada vez mais dúbios que nutre por Desdêmona. Krauss ainda consegue ser menos reconhecível se o critério for personagens que viveu, por exemplo, em filmes diversos como Tartufo ou O Gabinete do Dr. Caligari.O registro das interpretações é marcadamente teatral, em que olhos e gestos não são instrumentos para grandes sutilezas. Wörner-Filmgesselschaft para UFA. 87 minutos.


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