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sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Filme do Dia: Assim é a Aurora (1956), Luis Buñuel



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Assim é a Aurora (Cela s'appelle l'aurore, França/Itália, 1956). Direção: Luis Buñuel. Rot.Original: Luis Buñuel,  Jean Ferry &  Emmanuel Roblès. Fotografia: Robert Lefebvre. Música: Joseph Kosma. Montagem: Marguerite Renoir. Dir.de arte: Max Duoy. Com: Georges Marchal, Lucia Bosè, Nelly Borgeaud, Gianni Esposito, Julien Bertheau, Jean-Jacques Delbo, Robert Le Fort, Brigitte Elloy, Henri Nassiet, Pascal Mazotti.
        Doutor Valerio (Marchal) é benquisto por todos da comunidade em que vive, uma pequena ilha. Seu trabalho de atendimento à população carente lhe satisfaz grandemente, ao contrário de sua esposa Angela (Borgeau), que não vê o momento de voltar a Nice. Entre os pacientes atendidos por Valerio, ele nutre um especial carinho por Magda (Elloy), esposa enferma de Sandro Galli (Esposito). Chamado para atender uma menina vítima de um suposto estupro, Valerio conhece Clara (Bosé), por quem sente-se automaticamente atraído. O acusado do estupro é o próprio avô da criança, que é violentamente arrastado pela polícia. Valerio marca um novo encontro com Clara, no dia seguinte, tendo como subterfúgio visitar a criança violentada, porém essa afirma que irá logo abandonar o país. Valerio insiste para que fique e passam a viver um relacionamento amoroso, enquanto a esposa de Valerio viaja para a França. Valerio vê-se envolvido com o caso de Sandro Galli, que subitamente é despedido, por que não mais dava conta do serviço de caseiro na fazenda do poderoso Gorzoni (Delbo). Desesperado, Galli pretende partir para a violência, mas é desestimulado por Valerio, que acredita que consegue mudar a decisão. Indo pessoalmente falar com Gorzoni em seu escritório, consegue com que este reveja sua decisão, só que quando Valerio sai, seu secretário lhe afirma que o novo caseiro já se encontra a caminho. Gorzoni lava as mãos, achando que já desperdiçara muito tempo com o caso. Com a chegada do novo caseiro,  Galli parte para a briga, mas sua mulher afirma que quer sair daquela casa de qualquer modo. Pietro (Fort), amigo de Sandro, oferece-lhe sua casa. Porém antes mesmo de lá chegar Clara falece. Transtornado, Galli se dirige até a residência e assassina Gorzoni diante da esposa e amigos. Completamente obcecado por Clara, Valerio sente-se ainda mais próximo de Sandro Galli, já que se põe em sua posição, enfrentando o conservadorismo do chefe de polícia (Bertheau) e do pai de sua esposa (Nassiet) e dela própria, que retorna da França. Valerio entra em conflito direto com seu genro, que descobre que Sandro Galli se encontra refugiado em sua casa, e a abandona, juntamente com a esposa. A empregada de muitos anos também abandona a residência, em sinal de solidariedade a esposa de Valerio. Constrangido com tantos problemas que causou a Valerio, Galli abandona incógnito a residência. Quando a polícia chega para vistoriar a casa, o próprio Valerio se encontra surpreso com sua ausência. Logo, no entanto, a polícia o cerca. Valerio tenta aproximar-se e convencê-lo a se entregar, mas ele se suicida. Valerio retorna melancólico a Clara.
Buñuel trabalha outra vez o tema dos amores obsessivos que foi recorrente ao longo de sua carreira em filmes como Tristana (1970) e Esse Obscuro Objeto do Desejo (1977). Porém o tema do amour fou ganha uma dimensão que se distancia da que foi abordada, por exemplo, no realismo poético francês, aqui se integrando ao universo narrativo extremamente peculiar do cineasta, em que pitadas de ironia, um latente nonsense e a exuberante fotografia criam uma atmosfera singular. Com um abordagem mais clássica que o habitual, o filme se encontra entre as obras menores do cineasta.   Les Films Marceau/ Laetitia Film . 102 minutos.