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domingo, 3 de dezembro de 2017

Filme do Dia: Revolución (2010), Mariana Chenilo, Fernando Eimbcke, Amat Escalante, Gael García Bernal, Rodrigo García, Diego Luna, Gerardo Naranjo, Carlos Reygadas, & Patricia Riggen

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Revolución (México, 2010). Direção: Mariana Chenilo (La Tienda de Raya), Fernando Eimbcke (La Bienvenida), Amat Escalante (El Cura Nicolas Colgado), Gael García Bernal (Lucio), Rodrigo García (La Séptima y Alvarado), Diego Luna (Pacífico), Gerardo Naranjo (R-100), Rodrigo Plá (30/30), Carlos Reygadas (Este es Mi Reino), Patricia Riggen(Lindo y Querido). Rot. Original: Fernando Eimbcke (La Bienvenida), Patricia Riggen & Jorge Riggen (Lindo y Querido), Amat Escalante (El Cura Nicolas Colgado), Carlos Reygadas (Este es Mi Reino), Gerardo Naranjo & Mauricio Katz (R-100), Laura Santullo (30/30), Gabriel Nuncio & Diego Luna (Pacifico). Fotografia: Alejandro Cantu (La Bienvenida), Lula Carvalho (Lucio), Lorenzo Hagerman (El Cura Nicolas Colgado), Geronimo Denti, Miguel Lopez & Serguei Seldivar Tanaka (La Tienda de Raya), Gerardo Naranjo (R-100), Emiliano Villanueva (30/30),Sean Coles (La Séptima y Alvarado), Patrick Murgia (Pacifico), & Checco Varese (Lindo y Querido).  Música: Dario González Valderrama (La Tienda de Raya), Eduardo Gamboa (Lindo y Querido), Leo Heiblum (Lucio) Andrew Grush & The Newton Brothers. Montagem: Mariana Rodriquez (La Bienvenida), Miguel Schverdfinger (Lucio, Pacifico), Amat Escalante (El Cura Nicolas Colgado), Carlos Reygadas (Este es Mi Reino), Agustín Banchero & Lucas Cilintano (30/30), Josh Morrisroe (La Séptima y Alvarado) & Mario Sandoval (Lindo y Querido, La Tienda de Raya), Gerardo Naranja & Mauricio Katz (R-100). Dir. de arte: Nohemi Gonzalez (El Cura Nicolas Colgado), Claudio R. Castelli (Lucio), Alejandro Garcia Castro (La Tienda de Raya), Ivone Fuentes (30/30), Mariana Watson (Pacifico). Figurinos: Daniela Valentine (La Bienvenida), Ana Terrazas (Lucio, R-100), Nohemi Gonzalez (El Cura Nicolas Colgado),Gabriela Fernandez (La Tienda de Raya), Malena De La Riva (30/30) & Atzin Hernández (Lindo y Querido), Mariana Watson (Pacifico), Carlos Brown (La Séptima y Alvarado). Com: Ansberto Flores Lopez, Adriana Barazza, Ramon Duran, Isaac Figueroa Borquez, Samantha Mayer, Hector Cortes Barrientos, Ambar Sixto Marroquin, Monica Bejerano, Noe Hernandez, Manuel Jimenez, Justo Martinez, Ariel Brickman.
La Bienvenida. Um pobre tocador de tuba de um vilarejo (Lopez) nunca consegue encontrar tempo para ensaiar. Lindo y Querido. Americana (Barazza) de origem mexicana, sem dinheiro para efetuar o traslado, transporta o corpo de seu pai (Duran) para o México como se estivesse vivo.  Após lá chegar, toda sua resistência para com a terra onde nasceram seus pais se vê diante de tantas homenagens por seus velhos amigos e suas famílias, e não resiste. Lucio. Omarcito (Borquez) é uma criança que choca as outras ao defender seu paganismo e sua falta de submissão ao que não considera além de ídolos. Sua avó (Mayer), no entanto, reprime-o de forma violenta. El Cura Nicolas Colgado. Padre dependurado em uma árvore é encontrado por duas crianças (Barrientos e Marroquin) que vagam por uma região desértica, fugindo da aldeia onde quase todos foram massacrados. Elas o libertam e conseguem chegar a uma cidade grande, onde vagam pedindo esmolas para se alimentarem. Este Reino is Mi Reíno. Uma grande festa em uma província, onde a polícia não pode entrar e atos de violência, assim como extremamente inusitados, ocorrem em um “território” que parece ter suas próprias leis. La Tienda de Raya. Empregada (Bejerano) de um supermercado é assediada por um superior com convites para saídas, ao qual ela reage positivamente. Ao mesmo tempo, sem conseguir comprar o que pretendia para sair com o seu pretendente, entra com uma ação judicial, influenciada por um advogado que observa que a loja paga parte de seu salário com vales. Ela é demitida. R-100. Um homem (Hernandez) toma medidas desesperadas em uma rodovia para tentar ajudar o seu amigo ferido (Jimenez). 30/30. Francisco (Martinez), neto mais velho do líder revolucionário Pancho Villa, é convidado para um tributo em comemoração aos cem anos da revolução e é vaiado e insultado por boa parte dos presentes. Convidado a participar de outro evento, quando já encontra na estrada, pede que o motorista o leve de volta ao aeroporto. Pacifico. Um empreendedor (Brickman) decide visitar um local onde pretende montar um negócio. Revoltado com a forma peculiar com que as coisas ocorrem por lá, reavalia sua própria vida e retorna para encontrar o filho. La Séptima y Alvarado. Grupo de revolucionários mexicanos trajados a rigor se movimentam por um cruzamento movimentado de Los Angeles, sem que os moradores locais dêem a mínima importância.
Com propostas visuais e narrativas bem diversas – e, evidentemente, resultados idem – esse projeto coletivo tem ao menos um indicativo comum, o de não se voltar para uma representação histórica da Revolução Mexicana. Se existe referências históricas, essas acabam sendo ressaltadas sobretudo pela persistência de condições de miserabilidade e violência no México contemporâneo ou ainda por aquele que sugere que a narrativa se ambienta no passado – assim pode ser lido o episódio sobre o padre e as crianças, um dos mais instigantes tanto em termos de narrativa quanto visualmente, iniciando com a imagem do padre amarrado de cabeça para baixo em uma árvore tal qual um morcego. O descampado, o burrico e as vestes de todos, assim como a fotografia em p&b sugerem uma história do passado; mas logo o trio se aventura pelas ruas de uma cidade grande contemporânea, evocando os mundos paralelos que Gláuber Rocha se referiu ao final de O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro (não faltando símbolos icônicos da modernidade capitalista; lá a Shell, aqui MacDonald’s, por si bastante significativos de períodos diferentes do mundo moderno: um centrado na atividade produtiva, outro no lazer e consumo). Ou ainda, involuntariamente, na própria continuidade de um nacionalismo renitente, a seu modo tão tosco quanto o presente em filmes do cinema clássico mexicano (Primero Soy Mexicano, dentre muitos outros), em sua esquemática reapropriação de uma mulher que já se considera norte-americana com a generosa cultura de seus pais, que havia renegado. Se Reygadas apresenta o curta mais afinado com certas disposições de um cinema contemporâneo valorizado por seu excessivo tom lacônico, ao apresentar de forma enigmática e truncada o que seria uma representação da continuidade da violência, simbólica e física, de uma festa no qual não se encontram ausentes norte-americanos, o último dos curtas é o mais visualmente impactante. Destituído de qualquer esboço narrativo, apresenta em câmera lenta e imagens tão vibrantes quanto as do célebre muralismo, um tableaux vivant no qual revolucionários mexicanos atravessam um famoso cruzamento de Los Angeles em meio aos seus impassíveis moradores, ao som de uma música do The Newton Brothers. Poucas vezes esse confronto entre “arcaico/moderno”, “latino/WASP”, “épico/casual” ganhou uma expressão tão vibrante e simbolicamente carregada. Juntamente com o episódio da trabalhadora da loja de departamentos, que consegue uma aproximação oblíqua do que parecia se antecipar como sendo uma história romântica, de forma menos esquemática que um modelo de realismo pretensamente próximo de um Ken Loach parecia sugerir, provavelmente é o mais organicamente bem resolvido dos curtas. Existem outros que se passa sem muito se deter, tal a sua insipidez e/ou esquematismo como os curtas dirigidos por dois dos produtores do filme, atores que ganharam destaque internacional, sobretudo a partir de E Sua Mãe Também, Diego Luna e Gael García Bernal. Ainda que o tom algo ufanista sobressaia em Lindo y Querido, é mais para o oposto que se encaminha o tom geral do filme – sem faltar algo de esquemático nessa opção, até mesmo por parte daqueles curtas que aparentemente menos se prestariam a tal, como é o caso da cena em R-100, no qual um homem carrega o corpo de outro ao lado de um viaduto onde se encontra escrito em letras garrafais Mexico Vive; e no caso do curta de Patricia Riggen tal “despertar nacionalista” ao final ocorre sem uma muldura em grande parte irônica ela própria. Canana Films/IMCINE/Mantarraya Producciones. 105 minutos.


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