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segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Filme do Dia: O Einstein do Sexo (1999), Rosa von Praunheim

O EINSTEIN DO SEXO
O Einstein do Sexo (Der Einstein des Sex - Leben und Werk des Dr. M. Hirschfeld, Alemanha/Holanda/França, 1999). Direção: Rosa von Praunheim. Rot. Original: Chris Kraus, Valentin Passoni, Rosa von Prauheim & Friedl von Wangenheim. Fotografia: Elfi Mikesch. Música:  Karl-Ernst Sasse. Montagem: Michael E. Shephard. Com: Friedl von Wangenheim, Kai Schuhmann, Tima die Goettliche, Meret Becker, Otto Sander, Olaf Drauschke, Gerd Lukas Storzer.
Na Alemanha do final do século XIX, o acadêmico de medicina Magnus Hirschfeld (Schuhmann) escandaliza-se pela forma pouca humana que a homossexualidade é recebida por parte dos cientistas. Porém suas aspirações de tratar a sexualidade humana de uma maneira diversa não recebe o encorajamento nem mesmo do companheiro com quem vive um relacionamento amoroso à época, que acredita ser tolice sentimental. Tal estigma o perseguirá ao longo de sua carreira, inibindo-o de vivenciar relações afetivas, ao mesmo tempo que dedica-se de corpo e alma a causa científica, e cria um movimento político que pretende reverter o artigo 195, que condena a prática homossexual como criminosa. Com o passar dos anos, Hirschfeld (Völz) consegue realizar seu maior sonho, a criação de um instituto para estudar a sexologia humana. Um de seus parceiros é o fiel empregado Dörchen (Goettliche), que nutre uma paixão pelo cientista que reluta em confessar. Ao mesmo tempo, apaixona-se pela primeira vez por um jovem que desejara trabalhar com ele. Porém tanto a relação com o jovem é rompida, como o Instituto é depredado pelos nazistas em ascensão. Hirschfeld que, no momento, vive uma relação com outro jovem estudante, morre em Paris.
Inicialmente essa produção modesta e com aparência de ter sido realizada para TV pode parecer mais uma demagógica e maniqueísta visão glorificadora da homossexualidade, motivo de crítica de Fassbinder ao cineasta. Aos poucos, no entanto, Praunheim consegue se desvencilhar de uma visão meramente apologética como a de filmes como Eduardo II, de Jarman, e apresenta um quadro mais complexo das tendências dos grupos homossexuais envolvidos, assim como dos próprios personagens – a tensa relação do  líder do movimento, já uma figura célebre, com sua própria sexualidade. O tom cômico, que pretende motivar um maior contato com a audiência, é dado pelo personagem Dörchen. Sua narrativa convencional, que acompanha o período histórico que vai do final do século XIX até a década de 1930 é pontuado por imagens de arquivo, nunca chega a ser enfastiante por completo, embora falte um pouco de ritmo na terça parte final, que talvez fosse beneficiada por uma montagem mais enxuta. Argus Film/HR/Rosa von Prauheim Filmproduktion/Studio Babelsberg/VPRO/arte. 100 minutos.