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sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Filme do Dia: Longe Deste Insensato Mundo (1967), John Schlesinger

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Longe Deste Insensato Mundo (Far from the Madding Crowd, Reino Unido, 1967). Direção: John Schlesinger. Rot. Adaptado: Frederick Raphael, baseado no romance de Thomas Hardy. Fotografia: Nicolas Roeg. Música: Richard Rodney Bennet. Montagem: Malcolm Cooke. Dir. de arte: Richard Macdonald & Roy Forge Smith. Cenografia: Peter James.  Figurinos: Alan Barrett. Com: Julie Christie, Alan Bates, Peter Finch, Terence Stamp, Fiona Walker, Prunella Ransome, Alison Leggatt, Paul Dawkins.
No século XIX, Bathsheba Everdine (Christie), pobre camponesa que desperta a atenção do criador de ovelhas Gabriel (Bates), inesperadamente herda uma rica propriedade, enquanto Gabriel sucumbe a desgraça que envolve seu pequeno rebanho de ovelhas e sai em busca de trabalho. Ele chega à propriedade de Bathsheba num momento crítico de incêndio, onde já demonstra sua capacidade de liderança. Porém, o rico e respeitado fazendeiro mais velho William Boldwood (Finch) e o sargento Frank Troy (Stamp) também se encontram interessados em Bathsheba. O primeiro, por sentimentos devotados a única mulher que lhe despertou algum interesse, o segundo por puro oportunismo. Bathsheba se casa  com Troy, que desde o momento do casamento se mostra um incorrigível dissoluto, abandonando o lar após a morte de sua amante, Fanny Robin (Ransome). Dado como morto, reaparece no momento em que Boldwood pretende publicizar sua união com Bathsheba. É morto por Boldwood. Esse é condenado e tempos depois Bathsheba decide se unir a Gabriel, quando sabe que ele se encontra na iminência de partir para sempre.
Schlesinger, egresso do movimento documentarista de meados dos anos 50  se dá, sem dúvida, melhor com temas urbanos contemporâneos (Perdidos na Noite, Domingo Maldito) do que com produções grandiosas e históricas como essa. O que talvez se torne curioso é que ele parece querer unir em seu filme o estilo grandioso e épico de Lean, através  de paisagens filmadas em planos monumentais, assim como Christie, recém-saída de Doutor Jivago, com um ritmo, atmosfera, interpretação dos atores construído de forma bem mais contida. Não que todos os elementos melodramáticos e golpes de efeito do romance original não estejam lá, tornando sua diegese explicitamente a serviço de tais efeitos – como quando Gabriel perde sua riqueza e Bathsheba ganha a dela ou Boldwood é um pretendente a menos ao coração da protagonista após o crime, para citar somente alguns; porém, eles são apresentados de modo relativamente pouco afeito ao exagero seja na explicitação da forma fílmica (como em As Aventuras de Tom Jones) ou mesmo de parte de intervenções grandiloquentes, por exemplo, da trilha musical em momentos arrebatadores – a bela trilha, grandemente clássica de Rodney Bennett, não se presta a esse serviço. Até mesmo Bates, recém-saído de interpretações bem mais carregadas, como em Georgy, a Feiticeira, encontra aqui um registro relativamente suave; ele simplesmente desaparece da tela, quando sua amada decide se unir a outro e sua demonstração de ciúme, a certo momento, vai mais pelo registro da comédia de costumes do que do drama. Christie, por sua vez, parece não mais que repetir seus trejeitos faciais habituais, apresentando uma personagem que o público feminino possa se espelhar no momento em que o filme foi lançado. Mesmo que toda a produção seja bem cuidada, o filme evita cair nos excessos de grandiosidade de Lean, sendo talvez sua imagem mais interessante a que os cães cercam o rebanho de ovelhas num plano inspirado, que infelizmente não voltará mais a se repetir – as cenas de Christie correndo em meio a imensidão das colinas mais parece sugerir algo como A Noviça Rebelde. Divide o mérito de ser a melhor adaptação de Hardy para as telas com o Tess (1979), de Polanski. Existem versões ainda mais longas, chegando as 3 horas. MGM/Vic Film Prod. para MGM. 157 minutos.


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