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domingo, 13 de março de 2016

Filme do Dia: Relatório de um Homem Casado (1974), Flávio Tambellini




Relatório de um Homem Casado (Brasil, 1974). Direção: Flávio Tambellini. Rot. Adaptado: Flávio Tambellini & Rubem Fonseca, a partir do conto O Relatório de Carlos, de Fonseca. Fotografia: Fernando Amaral & Carlos Egberto. Música: Luiz Eça. Montagem: Leon Cassidy. Com: Nery Vitor, Françoise Forton, José Lewgoy, Cláudia Fontenele, Fábio Sabag, Paulo César Pereio, Otávio Augusto, Haydée Miranda, Fernando Amaral, Lícia Magna.
Carlos (Vitor), advogado bem sucedido, é um homem casado que leva um vida relativamente normal com a esposa, até que é procurado por uma jovem, Norma (Forton), que ao ganhar sua causa, convida-o para almoçar e passam a viver um tórrido relacionamento. Ela o abandona a partir do momento que ele não se separa da esposa, e vai viver com um rico homem na Bahia. Ele entra em crise, buscando outras amantes e até prostituas, sem conseguir se satisfazer. Busca os conselhos de seu amigo e colega de escritório (Augusto), que afirma que ela voltará para ele em seis meses. Ela retorna. Carlos entra com o processo de desquite com a esposa. Norma, que inicialmente decidira viver com ele, afirma que só se mudará quando todo o processo de separação houver acabado.  Eles passam a viver juntos, mas como o amigo avisara, não são felizes. No processo de separação, Carlos deixou quase tudo com a esposa e sua situação financeira agora se encontra longe da anterior, ainda agravada pela constante compra de artigos de luxo por Norma. Carlos afunda-se na bebida e o tiro de misericórdia ocorre quando flagra Norma e seu amigo conselheiro.
Tambellini, cineasta de apenas 5 filmes, todos eles invariavelmente relacionados ao universo das relações amorosas de uma elite decadente e vazia, exploradas com uma mescla de pretensa profundidade pseudo-existencial (na linha do Khoury de Noite Vazia), embora longe do ocasional talento visual daquele, e  o puro e simples sensacionalismo sexual. Essa produção, sua penúltima (Tambellini morre dois anos após) não é exceção à regra. Se a maior parte dos filmes europeus de viés ou verniz existencial acabam se enredando nos próprios tropeços e miséria espiritual de seus personagens, tornando-se via de regra cansativos exercícios de autocomplacência o que não dizer de um que, somado a tudo isso, conta com péssima direção de atores, diálogos sofríveis  e situações grandemente previsíveis? Nem mesmo uma potencial possibilidade de ganho narrativo, a da narrativa interna que Carlos realiza para um gravador – muito similar, mas efetivamente utilizada como efeito dramático consistente por Jabor em Toda Nudez Será Castigada – chega a ser explorada de forma minimamente consistente. Resta a inocuidade de situações e personagens que, longe de interessantes, atravessam os ambientes como zumbis a ditarem seus esquemáticos diálogos. Mesmo que longe de um cineasta de talento, Tambellini já havia realizado filmes um pouco menos canhestros que esse (Até que o Casamento nos Separe, O Beijo, ambos da década anterior). seu título parece tirar partido dos então recentes filmes políticos italianos de cineastas como Francesco Rosi ou Elio Petri. Flávio Tambellini Prod. Cinematográficas para UCB. 85 minutos. 

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