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quinta-feira, 3 de março de 2016

Filme do Dia: Mal dos Trópicos (2004), Apichatpong Weerasethakul


Mal dos Trópicos Poster


Mal dos Trópicos (Sud Pralad, Tailândia/França/Alemanha/Itália,  2004). Direção e Rot. Original: Apichatpong Weerasethakul. Fotografia: Jaring Pengpanitch, Vichit Tanapanitch & Jean-Louis Vialard. Montagem: Lee Chatammetikool & Jacopo Quadri. Dir. de arte: Akekarat Homlaor. Figurinos: Pilaitip Jamniam. Com: Banlop Lomnoi, Sakda Kaewbuadee, Huai Dessom, Sirivech Jareonchon, Udom Promma.          
O soldado Keng (Lomnoi) e o jovem, ingênuo e analfabeto Tong (Kaewbuadee) vivem uma singela história de amor em meio a floresta tailandesa. Certo dia, uma mulher leva-os para conhecer uma gruta onde existe um templo budista. Na mesma floresta, há uma tradição a respeito de um espírito encarnado em um tigre que mata homens e animais.  Um xamã (Lomnoi) pretende capturar o espírito, que também é personificado na figura de um homem nu (Kaewbuadee).
Essa incomum produção, praticamente conta duas narrativas em uma, sem qualquer ligação evidente entre ambas. Ocorre sim, não apenas uma ruptura narrativa como igualmente estilística. Ao mesmo tempo que não se acompanha mais a história de amor sugerida entre Tong e Keng, de padrões ainda bem mais convencionais, com diálogos, a segunda parte do filme é prenhe de um certo obscurantismo quase impenetrável, associado à mitologia peculiar a que a narrativa se refere. Enquanto na primeira parte, segue-se uma dramaturgia pontuada por bom humor e leveza, como na seqüência em que um dos amantes cheira carinhosamente a mão do outro que acabara de urinar, na segunda o que prepondera são os planos por vezes longuíssimos sem qualquer ação de motivação narrativa explícita. Imagens de natureza passam a ganhar relevância, porém se trata menos de uma exaltação da natureza por si só que o caráter místico a ela associado – presente tanto no macaco falante, na árvore majestosamente iluminada por pirilampos e na figura transcendental do tigre. Prêmio do Júri no Festival de Cannes. 118 minutos.                    


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