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quinta-feira, 17 de março de 2016

Filme do Dia: Uma Noite no Rio (1941), de Irving Cummings


Uma Noite no Rio Poster


Uma Noite no Rio (That  Night in Rio, EUA, 1941). Direção: Irving Cummings. Rot. Adaptado: Jessie Ernst, George Seaton, Bess Meredyth & Hal Long, baseado na peça The Red Cat, de Rudolph Lothar & Hans Adler. Fotografia: Ray Rennahan & Leon Shamroy. Música: Mark Gordon & Harry Warren. Montagem: Walter Thompson. Dir. de arte: Richard Day & Joseph C. Wright. Cenografia: Thomas Little. Figurinos: Travis Banton. Com: Alice Faye, Don Ameche, Carmen Miranda, S.Z. Zakall, J. Caroll Naish, Curt Bois, Leonid Kinsey, Bando da Lua.
O Barão Manuel Duarte (Ameche) encontra em um teatro de revistas um ator que o personifica tão bem, Larry Martin (Ameche), que seus assessores recorrem a Martin para personificar o desaparecido barão quando um importante investidor, Machado (Naish), passa a desconfiar de que os negócios do barão não vão tão bem assim. Irritada com as constantes traições de Larry, Carmen (Miranda), sua noiva, decide ir visitar o Barão, cuja esposa, Cecilia (Faye), finge não saber que se trata de um impostor e pretende tirar proveito da situação.
Essa tola comédia escapista, cujo conteúdo mais explicitamente voltado para a política de boa vizinhança se torna evidente na letra de um dos primeiros números musicais cantados por Ameche, foi o segundo filme de Carmen Miranda em Hollywood e já prenuncia a tônica da imagem que ficará associada a sua persona cinematográfica nos anos seguintes. Dispensando qualquer tentativa de reprodução do cenário estrangeiro através de matte shots  tal como outros filmes da época (a exemplo do Rio que se torna cenário para Interlúdio, de Hitchcock ou da Buenos Aires do primeiro filme com Miranda, Serenata Tropical), a alusão aos motivos brasileiros são tão fakes quanto os cenários do número musical que abre o filme ou a personagem do barão brasileiro que não fala uma única palavra de português. Seus números musicais canhestros e sua cenografia kitsch,  pretendendo capitalizar em cima de um erotismo exótico associado ao universo tropical latino representado em carne-e-osso por Carmen nem por isso sufocam alguns momentos hilários, como o primeiro no qual os assessores do Barão desfiam as piores previsões e comentários possíveis sorrindo falsamente para o desconfiado Machado na Bolsa de Valores. Ou, em menor medida, o sutil nonsense do momento em que um desses lê a carta do Barão e o que Carmen, com sua malícia bem típica, afirma que ficará de olho para que seu noivo dance à distância da Baronesa. Faye, de belos olhos azuis e contraponto anglo-saxão para Miranda, teria carreira meteórica nas telas, tal como a própria Miranda, sendo sua fama de cantora rapidamente ofuscada pela de Betty Grable. Destaque para o carismático Don Ameche vivendo o duplo papel que seria de Danny Kaye em nova versão de dez anos após dirigida por Walter Lang. Existe igualmente uma adaptação francesa de 1936 com Maurice Chevalier como protagonista. Na trilha musical um dos hits de Carmen, Chica Chica Boom Chic, embora a canção mais interessante seja Boa Noite que, ao assumir de forma mais explícita o seu perfil mais próximo da canção romântica hollywoodiana soa menos deslocada que a tentativa heroica de Miranda de prosseguir com sua carreira como cantora de músicas brasileiras, cantnado aqui Cai Cai. Nos créditos finais o Bando da Lua, habitual acompanhante de Carmen, surge como “Banda da Lua”. 20th Century-Fox. 91 minutos.


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