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segunda-feira, 21 de março de 2016

Filme do Dia: 68 Não Para (2008), Fred Nigelmann

68 Não Para (68 Non-Stop, França, 2008). Direção: Fred Nigelmann. Rot. Original: Jean-Marc Cazenave & Marie-Anne Sorba. Fotografia: Jean-Marc Cazenave. Música: Mehni Amazouz, Eric Lavallade & Pascal Bricard. Montagem: Hélène Crouzillat.
Documentário realizado por Cazenave e Sorba sob pseudônimo. Um dos méritos, talvez aliás o único, de um documentário que não pretende primar por qualquer qualidade formal, seja o de focar sobretudo no aspecto diretamente político de questões levantadas pelo Maio de 68. Com depoimentos de participantes do movimento e novas lideranças, além de algumas imagens de arquivo, o documentário não pretende ser uma reconstituição didática ou multifacetada do evento nem tampouco aprofunda questões relevantes que assomam como as fissuras internas do movimento entre intelectuais-estudantes de um lado e trabalhadores do outro. Há um tom visivelmente panfletário que, juntamente com sua estruturação um tanto quanto tosca menos o prejudicam do que apontam para  uma perspectiva completamente distinta do documentarismo contemporâneo. A dispersão, no entanto, é sua maior rival e além de um tempo desnecessário, ocorre uma tendência a se deter sobre eventos que ocorreram posteriormente na França como ecos de 68 que acabam ganhando tanto ou mais destaque que o próprio evento – à guisa menos provavelmente de ser uma historiografia do evento e sim de pensá-lo como uma proposta válida para qualquer momento histórico, dependendo da motivação da sociedade; motivação que aliás faria muito maior sentido nos dias de hoje, é o que argumenta o filme,já que existem 12 milhões de franceses abaixo da linha de pobreza, algo de dimensão muito mais ampla que quarenta anos atrás. Até mesmo o mérito do foco nas questões políticas de 68, ressaltado pelos próprios realizadores em debates e entrevistas à época de seu lançamento, parece ser parcialmente contradito quando o documentário  se detém nos avanços sociais igualmente associados a 68 como os movimentos feminista e homossexual. Há ainda fragmentos de um monólogo – Outubro – teatral, que vez por outra surgem, aumentando ainda mais o senso de precariedade  que não é de todo mal como já indicado. 56 minutos. 

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