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sábado, 5 de março de 2016

Filme do Dia: Daughters, Wives and a Mother (1960), Mikio Naruse




Daugthers, Wives and a Mother (Musume Tsuma Ha Ha, Japão, 1960). Direção: Mikio Naruse. Rot. Original: Toshirô Ide & Zenzo Matsuyama. Fotografia: Jun Yasumoto. Música: Ishirô Saitô. Dir. de arte: Satoshi Chuko. Com: Setsuko Hara, Heideko Takamine, Akira Takarada, Hiroshi Koizumi, Tatsuya Nakada, Reiko Dan, Mitsuko Kusabue, Keiko Awaji.
Sanae (Hara) é a filha de uma extensa família cuja matriarca a recebe em casa pois se encontra temporariamente brigada com o marido. Esse morre em um acidente na estrada e agora Sanae mesmo com a pequena fortuna de sua herança  volta a morar com sua mãe. Sua pequena fortuna desperta a cobiça de vários familiares com aspirações diversas. Um homem mais jovem e atraente, Kuroki (Nakada), passa a se interessar por ela.
Nessa filme colorido e e em tela larga, Naruse parece se centrar menos na afetividade de suas habituais protagonistas femininas do que, de modo mais incisivo, nas relações econômicas que se destacam cada vez mais no ambiente outrora tradicional da família japonesa, inserindo-se em todos os nichos de sociabilidade. A sensibilidade de Sanae, figura com que o realizador efetivamente se identifica e pretende que o espectador faça o mesmo, é a filha mais sensível para uma mãe que se encontra idosa e cujo destino permanece incerto sobre com qual filho irá viver. O distanciamento da relação mulher-homem, aqui secundarizado no insosso relacionamento de Sanae com seu novo pretendente, ao ser esmaecido, enfraquece o filme diante das produções em p&b realizadas na época anterior. Mesmo que composições irretocáveis, que fazem uso de profundidade de campo, na qual se percebem várias camadas, ambientes (inclusive apresentando tanto o ambiente interno quanto uma parte do externo) e cores diversas em um mesmo plano eventualmente surjam, apresentando um bom senso de composição do realizador, o resultado final não chega a ser de fato instigante. Um dos fatos efetivamente dignos de nota e bastante dissonantes com a filmografia de Naruse é a elipse que acompanha o momento súbito quando já se sabe, após uma seqüência de tranqüilidade permeada apenas por sutis rusgas entre mãe e filha pelo fato dessa ter abandonado a família do esposo e viajado para ficar uns dias após se desentender com o mesmo, não devendo se descartar de todo a possibilidade de ser uma versão mais reduzida da proposta original do realizador. Setsuko Hara, atriz constante nos filmes de Ozu e uma das mais destacadas do cinema japonês do século passado, como nos filmes daquele vive uma mulher próxima dos 40 que não se liberta, mesmo que viúva, das especulações sobre a possibilidade de um novo casamento. Sua máscara facial, habitualmente presa de um sorriso tímido e por vezes demonstrando uma sutil contrariedade, é uma marca registrada que se repete em várias de suas interpretações, nem por isso a tornando menos impressionante. São os homens que, ao contrário do mais comum no cinema, são habitualmente observados sem a menor profundidade, como é o caso do pretendente de Sanae, de quem se ressalta seus aspectos mais superficiais, como a cortesia e o modo elegante de se vestir. Toho Co. 123 minutos.


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