CONTRA O GOLPE CIVIL EM CURSO E A FAVOR DA DEMOCRACIA

quinta-feira, 10 de março de 2016

Filme do Dia: Blow-Up-Depois Daquele Beijo (1966), Michelangelo Antonioni


Blow-Up - Depois Daquele Beijo Poster


Blow-Up- Depois Daquele Beijo (Blowup, Reino Unido/Itália/EUA, 1966). Direção: Michelangelo Antonioni. Rot. Adaptado: Michelangelo Antonioni & Tonino Guerra, baseado em conto de Julio Cortázar. Fotografia: Carlo di Palma. Música: Herbie Hancock. Montagem: Frank Clarke. Dir. de arte: Assheton Gordon. Figurinos: Jocelyn Rickards. Com: David Hemmings, Vanessa Redgrave, Sarah Miles, John Castle, Jane Birkin, Gillian Hills, Peter Bowles, Veruschka von Lehndorff.
Thomas (Hemmings) é um jovem e bajulado fotógrafo de modelos que tem encontro inesperado com Jane (Redgrave), de quem tirara fotos no parque, ao lado de um aparente amante. Jane vai atrás de Thomas em seu apartamento, mas ele finge lhe entregar o negativo. Quando revela as fotos fica obcecado por um detalhe que revela ser o de um cadáver no parque, assim como alguém mirando uma arma no meio das folhagens. A noite ele vai até o parque e encontra o corpo de um homem. Thomas tem seu estúdio vasculhado e o negativo desaparecido
O segundo filme colorido e o primeiro em inglês de Antonioni facilmente poderia ser considerado, ao lado de 2001 – Uma Odisséia no Espaço (1968), de Kubrick, como o filme visualmente mais redondo e admirável da década. Praticamente cada plano é um primor e todo o fiapo de narrativa parece ter como único pretexto apresentar todo um deslumbre visual de um realizador que talvez tenha apresentado a atmosfera da swinging London, com suas cores, moda, arquitetura, sensualidade e hedonismo associado à música (os Yardbirds, em raro registro com sua formação na qual Jimmy Page e Jeff Beck ainda fazem parte do grupo) sexo e drogas como nenhum cineasta britânico o havia conseguido. Para além de tudo isso, há ainda e talvez primordialmente a reflexão sobre o próprio universo da fotografia (e por extensão, do cinema) enquanto elemento revelador da realidade, numa postura que parece sofrer a influência do Janela Indiscreta (1954), de Hitchcock. Como em outros filmes do cineasta, seu herói anda meio que a esmo, sem muita noção ou objetivo concreto. Por um instante, esse parece ser o de conseguir o que restou da guitarra de Jeff Beck. Logo, no entanto, ele se enfada do “troféu”.  Como por um tempo fora uma hélice gigante que encontra em um antiquário que se encontra prestes a fechar. A própria investigação sobre o aparente homicídio ocorrido acabará se transformando aparentemente em mais um desses interesses efêmeros, que se desfaz em meios aos clowns no parque. Palma de Ouro no Festival de Cannes. Bridge Films para MGM. 111 minutos.


Nenhum comentário:

Postar um comentário