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sexta-feira, 4 de março de 2016

Filme do Dia: Kabloonak (1994), Claude Massot




Kabloonak (Kabloonak, Canadá, 1994) Direção: Claude Massot. Rot.Original: Claude Massot &Sebastian Regnier. Fotografia:  Jacques Loiseleux & François Protat. Música: Sebastian Regnier. Montagem:  Joëlle Hache. Com: Charles Dance, Adamie Quasiak Inukpuk, Seporah Q. Ungalaq, Bernard Bloch, Natar Ungalaq, Peter Hudson, Matthew Saviakjuk-jaw, Georges Claisse, Nikolai Aipin Grigorievitch, Lyla Kootoo. 
       Nova York.  Flaherty (Dance) se encontra deprimido em um bar, após recusar um pedido da Paramount para continuar sua saga de esquimós.  Passa a relembrar sua viagem ao Alasca. É recepcionado na aldeia esquimó onde passará os meses seguintes. Procura se inteirar sobre quem seria o caçador mais corajoso do grupo, para filmá-lo em ação. Encontra-o na figura de Nanook (Inukpuk), que acaba de chegar trazendo caça e é festejado por toda a comunidade. Logo, o cineasta  combina seguir a caçada que Nanook empreenderá com seus companheiros Aviuk (Saviakjuk-jaw) e Mukpullu (Ungalaq), embora tenha sido avisado que não é uma viagem para kabloonaks (estrangeiros). Após uma sofrida incursão pelo frio, onde espera dias em um iglu a ponto de congelar, enquanto os esquimós partem para a caça, Flaherty recepciona emocionado a volta de Nanook, enquanto seus companheiros abandonaram a jornada. Nanook cai em uma geleira e é salvo por Flaherty. Após se recuperar, continuam a perseguir um urso e se dirigem até o oceano. Nanook volta imediatamente até o iglu porque compreendera a estratégia do urso. Ao lá chegarem, encontram o iglu quebrado e um cachorro da matilha morto. Triste, Nanook retorna com Flaherty (não menos triste já que o filme congelou e inviabilizou que ele fizesse tomadas da viagem) ao acampamento. No percurso, por pouco Flaherty não sucumbe ao frio. Ao retornarem, um dia Flaherty sabe que Nanook partiu para uma nova caçada sem lhe avisar. Indignado,  é acalmado por Wisconsin (Claisse) e muda de planos quanto a procurar Nanook por Nyla (Ungalaq), que o leva até o “pequeno iglu”, onde acabam por fazer amor. Quando Flaherty acorda Nanook está de volta com o urso morto. Como não encontra condições ideais na cultura esquimó para que suas filmagens ocorram com a iluminação adequada, Flaherty toma algumas “licenças poéticas” como construir um iglu maior que o naturalmente construído pelos esquimós para que a filmadora possa caber dentro dele - que rui - e um iglu que é parcialmente descoberto, permitindo a possibilidade de filmagens de um grupo de esquimós “se preparando para dormir”. Ou ainda Nanook lutando contra um urso com uma corda - na verdade um grupo de mulheres segura a corda do outro lado. Certo dia, no entanto, toda a comunidade se desloca, antes que a filmagem de Flaherty tenha acabado porque nessa época do ano todos se dirigem para outro local. Profundamente irritado, Flaherty pede uma orientação de Wisconsin, que afirma não haver previsão de retorno. Quando Flaherty se encontra em vias de embarcar de volta, Nanook, Nyla  e o restante da comunidade aparece em canoas para se despedir. Flaherty deprimido, sai do bar em Nova York, com um telegrama nas mãos, enviado por Wisconsin, dizendo que Nanook morrera de inanição poucos dias antes, após uma temporada de caça difícil. Flaherty para em frente ao cinema que exibe seu filme, sucesso no mundo todo, e se despede da figura de Nanook em um cartaz.
Procurando tratar, partindo de alguns dados reais, em termos de ficção dramática a jornada de Robert Flaherty, o pai do documentário cinematográfico, Massot não vai além de um resultado pífio: narrativa arrastada, sentimentalismo exacerbado e inverossímil, tratamento grosseiro e pouco aprofundado das relações etnocêntricas de Flaherty com os esquimós, particularmente na relação entre Flaherty e Nanook, ou colonizado/colonizador, “primitivo”/”moderno”. Assim se investe nos tradicionais clichês do gênero, sendo o esquimó mais uma reencarnação rousseauniana do “bom selvagem” (aliás como o próprio Nanook original), destino que poucos filmes que lidam com temáticas semelhantes conseguem se esquivar ou elaborarem com mais dignidade como Zero Kelvin. Também pouca informação traz de desconhecida sobre a jornada de Flaherty, como no caso da reconstituição polêmica das cenas de caça e costumes esquimós, alguns inclusive já abolidos à época da filmagem. Toda a estrutura narrativa do filme - com seu flashback tradicionalíssimo que permeia todo o filme até a conclusão - assim como sua fotografia e interpretações (com um Flaherty/Dance beirando muitas vezes o ridículo e o piegas) é de um academicismo de pretensões artísticas que se aproxima perigosamente do vulgar. UGC. 103 minutos.

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