CONTRA O GOLPE CIVIL EM CURSO E A FAVOR DA DEMOCRACIA

domingo, 27 de março de 2016

Filme do Dia: A Esquiva (2003), Abdellatif Kechiche


A Esquiva Poster


A Esquiva (L´Esquive, França, 2003). Direção: Abdellatif Kechiche. Rot. Adaptado: Ghalya Laroix. Fotografia: Lubomir Bakchev. Montagem: Ghalya Laroix. Dir. de arte: Michel Gionti. Figurinos: Maria Belloso-Hall. Com: Osman Elkharraz, Sara Forestier, Sabrina Ouzani, Nanou Benhamou, Hafet Ben-Ahmed, Carole Franck,  Aurélie Ganito, Hajar Hamlili, Meryem Serbah.
Nos subúrbios de Paris, um grupo de estudantes argelinos ensaia uma adaptação teatral para a escola sob a orientação da professora de francês (Franck). A mais entusiasta de todos é Lydia (Forestier). Porém, a desistência do ator que contracena com ela na peça, por motivos profissionais, leva a que o amigo de infância de Lydia, Krimo (Elkharraz), assuma seu lugar. Porém ele só o faz porque se encontra interessado nela, após ter recebido um fora de sua namorada, Magali (Ganito). A situação gera uma grande tensão dentro do grupo, pois o melhor amigo de Krimo, Fathi (Ben-Ahmed) acha que ele deveria permanecer com Magali.
Talvez o que menos importa, ao final das contas, seja a ciranda de relações e situações em parte pouco verossímil que o filme estabelece e sim o que ele consegue aproveitar das interpretações da maior parte de um elenco não profissional, ainda que a dependência do diálogo e as próprias situações em si acabem por proporcionar uma narrativa excessivamente longa em sua variação a partir de um motivo praticamente único. E, talvez propositalmente, tal como na peça, a interpretação de Forestier brilha de longe em relação aos seus colegas de elenco. Porém, ainda mais fundamental que o bem resolvido trabalho de interpretação é o modo consciente de trabalhar todo o drama sem apelar para os desgastados cacoetes do cinema de gênero, tais como violência, sangue e morte, algo que ao mesmo tempo demonstra uma recusa do reforço dos estereótipos que já impregnam tais tipos de personagens junto à sociedade francesa.  Aqui, ao contrário, eles menos perpetram que sofrem tal violência, mais simbólica do que de fato física, ao serem revistados brutalmente por policiais franceses. Ao fazer uso de uma construção visual e dramática que possui visível influência do documentário, com  um peculiar utilização  longe de nova da estratégia de atores vivenciando personagens muito próximos de si – muitos inclusive com o mesmo nome do personagem – e uma recusa a utilização de trilha sonora o filme parece antecipar, de forma modesta, Entre os Muros da Escola. Curiosamente ao abdicar do quase “necessário” enfoque étnico com que o tema vem sendo habitualmente trabalhado – a exceção sendo a relativamente breve seqüência já referida da abordagem pela polícia francesa, mais parece uma versão canhestra  dos filmes de Rohmer no sentido tanto da classe social, da idade dos personagens e do uso abusivo da palavra falada, mesmo que distante das prédicas morais daquele.Lola Films/Noé Prod./CinéCinéma para Rezo Films. 117 minutos.


Nenhum comentário:

Postar um comentário