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sexta-feira, 11 de março de 2016

Filme do Dia: Ettore Fieramosca (1938), Alessandro Blasetti




Ettore Fieramosca (Itália, 1938). Direção: Alessandro Blasetti. Rot. Adaptado: Alessandro Blasetti, Cesare Ludovici, Augusto Mazzetti & Vittorio Nino Novarese, baseado no romance de Massimi D’Azeglio. Fotografia: Mario Albertelli & Václav Vich. Música: Alessandro Cicognini. Montagem: Alessandro Blasetti & Ignazio Ferronetti. Dir. de arte: Guisseppe Porcheddu, Ottavio Scotti & Umberto Torri. Cenografia: Mario Vucefich. Figurinos: Marina Arcangeli & Vittorio Nino Novarese. Com: Gino Cervi, Mario Ferrari, Elisa Cegani, Osvaldo Valenti, Lamberto Picasso, Corrado Racca, Clara Calamai, Umberto Sacripante.
1500. O sul da Itália se encontra dominado por espanhóis. Um exército francês liderado por Graiano d’Asti (Ferrari) procura dominar a região. Um dos franceses, Guy de la Motte (Valenti) põe em xeque a bravura dos soldados italianos e é convidado para uma peleja por Ettore Fieramosca (Cervi), o mais destemido dos combatentes de sangue italiano, que despertou a paixão pela duquesa de Monreale (Cegani), que quando da rude abordagem de Fieramosca para se instalar com seus soldados no castelo da duquesa, sente-se pela primeira vez desejada como mulher.
Blasetti, talvez seja o cineasta de maior talento a ter seu nome associado com um cinema de propaganda fascista.  E o faz indiretamente já que habitualmente o que mais lhe agradava eram os dramas históricos. Sem dúvida, Blasetti possui o tino para a direção de atores (Cervi encarna a perfeição seu herói, algo que dificilmente se pode dizer de seu herói contemporâneo de Gente dell’Aria) e mesmo a criação de um ambiente, com seu jogo de luzes nuançado mais que marcadamente expressionista e seus suaves movimentos de câmera. O resultado final, no entanto, soa demasiado anódino e resvala, em certos momentos, para o triunfo de uma dimensão bélica-nacionalista francamente inverossímil, como quando o herói-título, que nomeia um dos submarinos italianos à época da produção do filme, decide num arroubo, tão ou mais ousado que Rambo décadas após, enfrentar todo o exército francês a um só tempo e acaba ferindo ou matando vários antes de ser detido. O teor bélico e temas históricos envolvendo conquista e reconquista passaram a ser incentivados sobretudo após a invasão da Etiópia pela Itália, no ano anterior. Destaque para a nudez, ainda que mais discreta e talvez menos asséptica que dos filmes alemães contemporâneos, tanto no harém de mulheres de seios desnudos ou no banho coletivo de homens e crianças no rio que margeia o castelo. Se nos filmes alemães eles se encontravam destinados a incentivar o culto a raça ariana, aqui seu papel parece mais convencionalmente associado a uma certa descrição “naturalista” do momento histórico descrito, filão que os épicos hollywoodianos do cinema mudo já haviam explorado. O romance já havia sido adaptado duas vezes anteriormente para o cinema mudo, em 1909 e 1915 respectivamente.  Nembo Film para ENIC. 93 minutos.


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