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terça-feira, 29 de março de 2016

Filme do Dia: Elizabeth: A Era de Ouro (2008), Shekhar Kapur


Elizabeth: A Era de Ouro Poster


Elizabeth: A Era de Ouro (Elizabeth: The Golden Age, Inglaterra/França/Alemanha, 2008). Direção: Shekhar Kapur. Rot. Original: William Nicholson & Michael Hirst. Fotografia: Remi Adefarasin. Música: Craig Armstrong & A.R. Rahman. Montagem: Jill Bilcock. Dir. de arte: Guy Dias , David Allday & Frank Walsh. Cenografia: Richard Roberts. Figurinos: Alexandra Byrne. Com: Cate Blanchett, Clive Owen, Geoffrey Rush, Susan Lynch, Samantha Morton, Jordi Mollá, Eddie Redmayne, Adam Godley.
A já Madura Elizabeth I (Blanchett) terá que se debater com problemas de foro íntimo, sua crescente solidão e ausência da figura masculina desde o amor de juventude, algo que se torna mais evidente quando surge Walter Raleigh (Owen), pirata que andara negociando pelas terras da América. E também com questões de política externa e interna. Tendo sofrido um atentado contra sua vida, Elizabeth também se depara com as forças do espanhol Felipe II da Espanha (Mollá) e com o assassinato de Mary Stuart (Morton), rainha escocesa, trama de rivais na qual seu conselheiro de longa data, Francis Walshingham (Rush) aceitou como real. Quando descobre que Annette (Lynch), sua mais próxima dama de companhia, encontra-se grávida de Raleigh, ela o manda prender e expulsa Annette da corte. Porém a invasão da armada espanhola faz com que ela mude de idéia.
Kapur dá continuidade ao seu Elizabeth com resultado ainda menos pródigo. Se no filme anterior sua estrutura ainda apontava para uma relativamente boa apropriação dos fatos históricos e sua transformação em drama, mesmo que de modo classicamente convencional, aqui todo o filme parece transpirar nada muito além de direção de arte, primorosa de fato. Há alguns toques de sensibilidade, como a utilização de somente um brevíssimo trecho do filme anterior nas recordações de seus verdes anos e do amor – o trecho em que ela ensaia dança quando seu amado Robert chega, porém o resultado final permanece por demais burocrático para soar minimamente envolvente. Principalmente na sua metade inicial continua o processo de identificação com Elizabeth, sempre espirituosa nos chistes da corte, que vivencia uma era dourada na exuberância e extravagância dos costumes, como apresenta determinado trecho de um desfile de moda. O fato da monarca não ter por fim optado por nenhum homem é um aceno para o público feminino moderno, mesmo que tampouco o filme deixe de apresentar seus momentos de fraqueza, sobretudo diante de Raleigh. A câmera que muitas vezes observa as cenas como que da coxia de um teatro que, se tivessem sido trabalhadas de modo mais efetivo poderiam propiciar uma sugestão de vigilância e controle exaustivo sobre a figura da monarca, aqui não são mais que um tique visual na coleção. O mesmo pode ser dito de seus virtuosos rodopios nas cenas nas quais Elizabeth se vê em sua intimidade. Motion Picture ZETA Produktion Gesselshaft/Studio Canal/Working  Title Films para Universal. 114 minutos.


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