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sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

The Film Handbook#53: William Friedkin

William Friedkin
Nascimento: 29/08/1939, Chicago, Illinois, EUA
Carreira (como diretor): 1967-

Em muitos dos filmes de William Friedkin há um elemento de sensacionalismo que sugere não somente o faro comercial de um oportunista mas também a ausência de visão artística. Comparados com outros "maníacos por tecnologia" que se tornaram proeminentes no cinema americano dos anos 70, ele aparenta ser singularmente destituído de personalidade.

Um diretor de televisão ainda antes de completar seus 20 anos, Friedkin realizou sua estreia no cinema com Good Times, veículo musical para a dupla de cantores Sonny e Cher. Seguiu-se Quando o Strip-Tease Começou/The Night They Raided Minsky's, enfadonho drama de época ambientado no mundo do vaudeville dos anos 20 e duas adaptações redundantes e exageradamente teatrais de obras do teatro - Feliz Aniversário/The Birthday Party, de Harold Pinter e Os Rapazes da Banda/The Boys in the Band, de Mart Crowley (outro encontro para um aniversário, dessa vez atendido por gays) - Friedkin teve seu primeiro extraordinário sucesso  com Operação França/The French Connection>1. Embora detalhando com autenticidade os bairros mais pobres de Nova York, o filme fracassou na sua ausência de perspectiva crítica em relação ao fanatismo desbocado de seu anti-herói policial anti-narcóticos Popeye Doyle. Enquanto Doyle e seu parceiro se encontram no rastro de um contrabandista de heroína ao redor de locações memoráveis por sua vitalidade, Friedkin acelera o ritmo e distrai a atenção para as incoerências da trama: uma celebrada perseguição de carros, com Doyle perseguindo o carro que se encontra na linha de trem do elevado por cima dele se tornando o triunfo da técnica da montagem sobre o conteúdo.

Do mesmo modo, O Exorcista/The Exorcist>2 negligencia as implicações de sua falsa subtrama sobre uma crise de fé, centrando-se, pelo contrário, nas grotescas transformações físicas e profanações verbais, assim como efeitos especiais assustadores significando a possessão de uma jovem inocente por Satã. No entanto, mesmo enquanto horror, o filme desaponta, sendo o suspense construído pela câmera em constante avanço em direção a porta do quarto da jovem sendo repetidamente dissipado pela natureza explícita da violência que é observada: o pesado efeito de bílis vomitada, cabeças girando e uma banda sonora cacofônica servem somente para acentuar a concepção rasa e mal postulada pela incessantemente manipulativa montagem de choque de Friedkin.

A violência sensacionalista provocou uma campanha publicitária notável, tornando-se o filme um sucesso internacional, ganhando seu realizador carte blanche  para a filmagem do tristemente intitulado O Comboio do Medo/Sorcerer, uma inábil, desnecessária e extravagantemente cara refilmagem do Salário do Medo/Le Salaire de la Peur, de Clouzot. Graças as boas interpretações de Peter Falk e Warren Oates, assim como de outros, o relativamente modesto Um Golpe Muito Louco/The Brink's Job foi um irônico filme sobre roubo, porém Parceiros da Noite/Cruising encontra Friedkin no auge do sensacionalismo: um policial infiltrado nos bares gays de Nova York em busca por um psicopata faz uso de ofensivos estereótipos homofóbicos. Uma Tacada da Pesada/Deal of the Century foi uma pobremente caracterizada e focada sátira sobre o comércio internacional de armas, ganhando lançamento limitado enquanto Viver e Morrer em Los Angeles/To Live and Die in L.A>3, sobre dois policiais que investigam uma gangue de contraventores, dilui suas ocasionalmente eficientes cenas de ação com uma ênfase nada apropriada em um estilo chamativo; parece que Friedkin estava tentando repetir a fórmula de Operação França no estilo Miami Vice, com os policiais fazendo uso dos mesmos recursos dos trapaceiros que perseguem, e sendo o clímax do filme uma extensa, destrutiva e sumariamente relevante perseguição de carro ao longo de locações fotogênicas. Não menos mal concebido foi Síndrome do Mal/Rampage,um drama de tribunal sobre um assassino serial, com uma confusa mensagem sobre a pena de morte.

A dependência de Friedkin da ação física violenta aponta para seu pobre senso de narrativa e elaboração de personagens. Qualquer pretensões que tenha tido de seriedade foram minadas pela repetida inabilidade de seus filmes de transcenderem a caricatura bidimensional e as situações clichês.

Cronologia
O desejo de Friedkin de manipular as emoções do público parece brotar de sua admiração por Hitchcock e Clouzot, ambos com talento e perspicácia da qual é destituído. O estilo bestial de seus maiores sucessos tem influenciado muitos filmes de ação e horror rotineiros.

Destaques
1. Operação França, EUA, 1971 c/Gene Hackman, Roy Scheider, Fernando Rey

2. O Exorcista, EUA, 1973 c/Linda Blair, Ellen Burstyn, Max Von Sidow

3. Viver e Morrer em Los Angeles, EUA, 1985 c/William L. Petersen, William Dafoe, John Pankow

Texto: Andrew, Geoff. The Film Handbook. Londres: Longman, 1989, pp. 111-2.

Um comentário:

  1. Em muitos dos filmes de William Friedkin há um elemento de sensacionalismo que sugere não somente o faro comercial de um oportunista mas também a ausência de visão artística. Comparados com outros "maníacos por tecnologia" que se tornaram proeminentes no cinema americano dos anos 70, ele aparenta ser singularmente destituído de personalidade.

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