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terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Filme do Dia: Cisne Negro (2010), Darren Aronofsky



Cisne Negro (Black Swann, EUA, 2010). Direção: Darren Aronofsky. Rot. Original: Mark Heyman, Andres Heinz & John J. MacLaughlin, a partir do argument de Heinz. Fotografia: Matthew Libatique. Música: Clint Mansell. Montagem: Andrew Weisblum. Dir. de arte: Thérèse De Prein & David Stein. Cenografia: Tora Peterson. Figurinos: Amy Westcott. Com: Natalie Portman, Mila Kunis, Vincent Cassel, Barbara Hershey, Winona Ryder, Benjamin Millepied, Ksenia Solo, Kristina Anapau.
Nina Sayers (Portman) é uma bailarina que se vê alçada a protagonista de uma nova montagem do Lago dos Cisnes que será dirigida por Thomas Leroy (Cassel) que, no entanto, não a acha ainda perfeita como Cisne Negro, somente como encarnação do Cisne Branco. Vivendo uma relação neurótica com sua mãe excessivamente protetora, Erica (Hershey), Nina perde gradualmente o contato com a realidade, após sucessivas pressões de Leroy sobre sua aparente falta de entrega e frigidez, o acidente com a ex-primeira dama do balé, Beth Macintyre (Rider) e a ameaça que sente de Lily (Kunis), colega e substituta de ensaios.
Extremamente tensa e persecutória investigação sobre uma mente em processo de paranoia esquizofrênica, percebida a partir do ponto de vista “privilegiado” de sua protagonista. O filme de Aronofsky investe maciçamente na aproximação do horror/suspense psicológico, na linha de filmes como O Bebê de Rosemary e Inverno de Sangue em Veneza recorrendo a  explicações que remetem menos a fenômenos paranormais ou coisas do gênero como naqueles do que na própria vertente psicanalítica, observada de forma quase caricata (em comparação, por exemplo, com outros filmes que retrataram personagens de perfil psicológico/psiquiátrico semelhantes como Barton Fink e Spider) na relação psicótica vivenciada entre mãe e filha. O filme lida com o espelhamento entre as personagens maniqueístas do balé e a construção dual e igualmente maniqueísta do “bem” e do “mal”, técnica x sentimento, na pele de sua protagonista, vivida com garra por Portman. E é justamente nessa medida irrisória de compreensão patológica de sua protagonista que tais construções servem para os interesses de filmes que se filiam ao gênero, sendo ao mesmo tempo sua virtude, enquanto interesse excepcional e mesmo morbidamente sensacionalista por seu tema e sua fraqueza, enquanto percepção um tanto pálida de uma personagem praticamente reduzida a sua enfermidade. Ecos de filmes mais maduros, como A Professora de Piano, parecem se fazer presentes, como no caso da relação com a mãe e a sexualidade problemática e castrada, assim como as torturas auto-infligidas, porém filtrados para os interesses imediatos de seu enredo feericamente tenso.  Porém muito mais influente é o enredo de bastidores, centrado entre disputas de estrelato, vaidade, fama e morte que possuem como matriz O Fantasma da Ópera (1925), e suas sucessivas adaptações e variações ao longo dos anos. A música de Tchaikovski e sua exuberância talvez excessiva, utilizada de forma quase intermitente ao longo do filme, possui um equivalente visual à altura, com todas as implicações positivas e negativas daí derivadas. Fox Searchlight Pictures/Protozoa Pictures/Phoenix Pictures/Cross Creek Pictures para Fox Searchlight Pictures. 108 minutos.


2 comentários:

  1. pois, é um filme que se embarca na tensão e se sai meio exaurido...assisti com uma amiga minha e não sei quem ficou mais tenso.

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