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segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Filme do Dia: Na Frente Há Lugar (1942), Mario Bonnard



Na Frente Há Lugar (Avanti c’è Posto, Itália, 1942). Direção: Mario Bonnard. Rot. Original: Mario Bonnard, Aldo Fabrizi, Federico Fellini & Piero Tellini, a partir do argumento de Tellini, Fabrizi & Cesare Zavattini. Fotografia: Vincenzo Seratrice. Música: Giulio Bonnard. Montagem: Maria Rosada. Dir. de arte: Giovanni Sarazani & Vittorio Nino Novarese. Com: Aldo Fabrizi, Adriana Benetti, Andrea Checchi, Virgilio Riento, Carlo Micheluzzi, Cesira Vienello, Jone Morino, Pina Gallini.
Cesare Montani (Fabrizi) é um cobrador que se sensibiliza com a história da jovem Rosella (Benetti), que aparentemente foi roubada no ônibus e após acompanhá-la até sua própria pousada, onde são praticamente expulsos por sua irritada proprietária, leva-a a pousada onde ele próprio mora, sendo, no entanto, descoberto por sua zelosa dona, que não aceita a presença da moça. Ambos dormem em um terminal ferroviário. Na manhã seguinte ele encontra um local para que Rosella fique, após uma tentativa frustrada em outra que era demasiado familiar. Rosella se aproxima do colega de trabalho de Cesare, Bruno (Checchi) e se apaixona pelo mesmo. Esse decide se alistar ao Exército, tendo como missão em pouco tempo partir para a África. Cesare e Rosella tentam então alcançar o mais imediatamente possível Bruno, que desfila juntamente com os militares pelas ruas da cidade.
Típica comédia de costumes realizada durante a Segunda Guerra, no qual à referência a essa é bastante velada, no caso do alistamento e embarque posterior para África após treinamento (a menção à Africa podia inclusive representar a mais “bem sucedida” Guerra da Etiópia na década anterior). Os créditos iniciais são apresentados sobre panorâmicas extraídas do que aparentemente seria o bonde no qual o protagonista, vivido pelo recorrente Fabrizi, ganharia sua vida. Há uma tensão, ainda que implícita, que permeia praticamente todo o filme, entre Rosella optar pelo amor quase paternal e auto-sacrificial de Cesare ou pelo mais sexuado e conflituoso Bruno. A dimensão auto-sacrificial do primeiro parece mais do que nunca no momento final do filme, quando abandona o casal a si próprio e parte para sua convencional rotina de insultos e apupos com os frequentadores do bonde, ainda bastante emocionado. Foi tido pelo próprio Rossellini como um dos filmes que prenunciavam o surgimento do Neo-Realismo, ainda que muito pouco do mesmo possa ser observado em retrospecto. Società Italiana Cines para ENIC. 81 minutos.

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