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terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Filme do Dia: O Retrato de Jennie (1948), William Dieterle



O Retrato de Jennie (Portrait of Jennie,EUA, 1948). Direção: William Dieterle. Rot. Adaptado: Paul Osborne, Peter Berneis & Leonard Bercovici, a partir do romance de Robert Nathan. Fotografia: Joseph H. August. Música: Dimitri Tiomkin. Montagem: William Gordon. Dir. de arte: J. McMillan Johnson. Cenografia: Claude E. Carpenter. Figurinos: Lucinda Ballard. Com: Joseph Cotten, Jennifer Jones, Ethel Barrymore, Lilian Gish, Cecil Kellaway, David Wayne, Albert Sharp, Henry Hull.
Nova York, 1934. Eben Adams (Cotton) é um artista idealista no inverno nova-iorquino sem dinheiro sequer para quitar seu aluguel. A situação muda de figura quando conhece a jovem Jeennie (Jones), que desenha o retrato e apresenta a Srta. Spinney (Barrymore), comerciante de arte, que percebe nos traços do desenhista algo ausente no que apresentara anterioremente a ela, demasiado destituído de vida e clichê. Ele volta a encontrar Jennie em várias ocasiões. Aos poucos Adams fica sabendo que Jennie é uma garota que vivera em outra época e de uma de suas professoras do internato de freiras, Mary of Mercy (Gish) onde foi morar após a morte de ambos os pais trapezistas em um acidente de circo, que se encontra morta.  Ao saber que ela morrera poucos dias após e alguns anos antes na Nova Inglaterra, Adams vai até o local de seu desaparecimento em meio a uma tempestade e volta a vê-la uma última vez, porém ninguém do vilarejo afirma ter havido qualquer outro aluguel de barca naquela noite também tempestuosa.
Essa segunda incursão da dupla Cotten-Jones sob a batuta de Dieterle, produzido de forma mais extravagante (não por acaso por Selznick) que o mais modesto Um Amor em Cada Vida, pode ser considerado como um canto de cisne dos filmes “góticos” do período, repletos de amour fou, sombrios como o cinema noir, mas destituídos do cinismo e realismo desses. Mais ambicioso que o anterior sob todos os aspectos, o filme surpreendentemente não necessita de uma referência europeia para apresentar charnecas esfumaçadas. Contenta-se com a Nova Inglaterra ao final e centra a maior parte de sua atmosfera sombria e enevoada numa insuspeita Nova York quase contemporânea. O que nas mãos de Dieterle consegue afastar o fantasma da fantasia delirante, ou melhor, assumi-la sem medo em um momento no qual o cinema de maior reconhecimento crítico se aproximava de um crescente realismo e crítica social podendo ser considerado como distante precursor dos mind games do século XXI. Aqui, no entanto, investe-se menos na alternância ou complexa interação entre realidade objetiva e subjetiva que na compreensão da genuína arte como produto de uma vivência intensa do artista que transcende o virtuosismo e o cotidiano, e que bem poderia se aplicar ao próprio Dieterle, incubido de se deslocar entre esses dois papéis. Há algo de macabro e sinistro no movimento de descoberta do passado de sua amada que sugere uma proximidade com o universo do horror. Ao contrário do filme anterior, não se procura justificar de forma realista o mistério envolvendo a mulher amada e, ainda mais que o anterior, próximo de incursões de um cineasta como Lewin por temas semelhantes como em seu Pandora (1951). Destaque para o seu prólogo grandiloquente e completamente destituído de créditos e seu desfecho em sépia e cores (para destacar o quadro de Jeannie em um museu). E, mais que isso, para uma construção de uma Nova York bem distante de suas representações habituais contemporâneas, seja através das cores alegres e do viço do musical (Um Dia em Nova York) ou da paranoia do noir (Cidade Negra, do próprio Dieterle). Vanguard Films/Selznick Int. Pictures para Selznick Releasing Org. 86 minutos.


4 comentários:

  1. Cheguei nesse blog via Making Off. Os textos são todos seus?Achei que eram, depois vi que alguns são traduções.
    Não entendi bem. Acho que em cada texto deveria vir o nome do autor.

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  2. Seja bem vindo car@! Na verdade nessas tags que se encontram abaixo do que é postado existe a referência quando não se trata de texto meu. Todas as resenhas de filmes da coluna filme do dia foram escritas por mim, mas eventualmente posto traduções, transcrições de coisas que ando lendo, etc., todas devidamente creditadas embaixo. Tudo que não pertence a coluna filme do dia, praticamente, não é de minha autoria. Se permite uma sugestão igualmente, não poste como anônimo, mas com seu nome ou nick enfim...acho mais fácil (e até ético) me direcionar a alguém específico e não a um genérico anônimo. Feliz 2016!

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  3. Valeu!Parabéns pelo blog. Muito bom! Desculpe não ter me identificado antes. Feliz 2016 pra você também!

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  4. Grato Márcia. Apareça sempre! Foi bom seu comentário, já que de fato não fica muito evidente para quem está acessando a questão da autoria. Talvez mereça um comentário na página inicial.

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