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quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Comentário sobre quadro de Monet






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A pintura feita por Monet da enseada do Havre, o porto no norte da França em que ele havia passado a infância como filho de um dono de armazém, é um exemplo evocativo e encantador do impressionismo. A cena mostra um sol matinal laranja-avermelhado levantando-se preguiçosamente do mar para o céu, como um empregado que reluta em deixar a cama numa triste segunda-feira de inverno. A bola de fogo ainda não brilha o bastante para queimar o brumoso ar azul que envolve os barcos a vela e botes a remo, mas tem energia suficiente para incitar o frio mar arroxeado da manhã a produzir um cálido reflexo laranja em sua superfície, lembrando uma única barra aquecida num aquecedor elétrico. Além disso, há muito pouco detalhe. Trata-se, na verdade, de uma impressão do que o artista viu, possivelmente da janela do quarto da casa em que se hospedava,

E não há dúvida de que, para uma pessoa habituada a ver pinturas clássicas muito bem-acabadas, construídas camadas por camadas a partir de desenhos detalhados, o esforço de Monet pareceria pouco mais que o mais preparatório dos esboços. Certamente não é a sua melhor obra (eu escolheria sua série Montes de Feno), nem o epítome do impressionismo, mas contém, sem dúvida, todos os elementos que tornariam o movimento famoso: as pinceladas staccato, o tema moderno (um porto em funcionamento), a priorização dos efeitos de luz sobre qualquer detalhe pictórico e a noção predominante de que essa é uma pintura para ser experimentada, não somente olhada.

Fonte: Gompertz, Will. Isso é Arte? Rio de Janeiro: Zahar, 2013, pp.52-3.




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