CONTRA O GOLPE CIVIL EM CURSO E A FAVOR DA DEMOCRACIA

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Filme do Dia: O Jardineiro Cruel (1912), Victor Sjöström




O Jardineiro Cruel (Trädgardsmästaren, Suécia, 1912). Direção: Victor Sjöström. Rot. Original: Mauritz  Stiller. Fotografia: Julius Jaenzon. Com: Victor Sjöström, Gösta Ekman, Lili Bech, John Ekman, Gunnar Bohman.
Jovem (Bech) de classe social inferior se apaixona pelo filho (Gösta Ekman) do patrão (John Ekman), que envia o filho para longe. Porém, o que aparenta ser somente uma preocupação com um futuro do filho, demonstra ser o interesse do patrão pela moça, que tenta sem sucesso seduzi-la a todo custo. Pai e filha são despedidos pelo patrão como retaliação. A jovem procura o apoio de um homem rico que, com a morte de seu pai, a adota como filha. Com a morte de seu protetor, no entanto, a jovem desesperada retorna ao local que fora feliz em sua juventude e é encontrada morta na estufa da casa por seu proprietário.
           Segundo filme de Sjöström, realizado em um período em que a cinematografia mundial ainda consolidava as bases para a narrativa cinematográfica padrão, inclusive em termos de duração (caso desse filme em questão, que não passa de um média metragem). Muito do que seria apresentado de modo mais amadurecido nos anos posteriores nos filmes com assinatura de Sjöström aqui ainda se encontra um tanto quanto tosco e através de uma narrativa excessivamente rocambolesca, o que certamente se deve não apenas a questões estilísticas individuais quanto as próprias mudanças profundas vivenciadas pela narrativa cinematográfica em termos mundiais em um curto período de tempo. Um dos momentos que parece mais gratuito e apelativo no filme – a morte da protagonista ao final em meio a estufa de flores – na verdade foi uma saída para liberar o filme junto à censura, já que anteriormente nessa mesma estufa que se desenvolvia uma ousada cena de tentativa de esturpro que transformou esse filme no primeiro a ser banido na Suécia. Aliás, o título americano (The Broken Springrose) é uma menção a flor que é acariciada pelos dedos da protagonista, evidente sinônimo de sua pureza que se torna posteriormente violada, provocando a queda da mesma rumo a uma vida libertina que somente será redimido com sua própria morte. É evidente nesses melodramas do início da carreira do cineasta uma certa fixação em figuras paternas – três no filme em questão – que serão determinantes para os altos e baixos da protagonista. Dado como perdido por mais de setenta anos, foi encontrada essa versão americana já com os cortes efetuados pela censura. Stiller, que se tornaria juntamente com Sjöström, o cineasta sueco mais reverenciado do período (e para quem o último estrearia no cinema como ator, no mesmo ano) é roteirista e aparece num pequeno papel. Svenska Biografteatern. 34 minutos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário