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sábado, 5 de dezembro de 2015

Filme do Dia: De Mayerling à Sarajevo (1940), Max Ophüls



De Mayerling à Sarajevo (De Mayerling a Sarajevo, França, 1940). Direção: Max Ophüls. Rot. Original: Carl Zuckmayer, André-Paul Antoine, Marcelle Maurette & Jacques Natanson. Fotografia: Curt Courant & Otto Helelr. Música: Oscar Straus. Montagem: Myriam Boursoutsky & Jean Oser. Dir. de arte: Jean d’Eaubonne. Figurinos: Boris Bilinsky. Com: Edwige Feuillère, John Lodge, Aimé Clariond, Jean Worms, Jean Debucourt, Raymond Aimos, Gabrielle Dorziat, Henri Bosk, Gaston Dubosc, Marcel André.
O arquiduque Francisco Ferdinando (Lodge), herdeiro do Império Austro-Húngaro, apaixona-se perdidamente pela condessa tcheca Sophie Chotek (Feuillère). A união dos dois somente pode ser selada com a abdicação da linha sucessória para seus filhos e exclusão da esposa dos eventos oficiais. O imperador relega ao filho o papel de diplomata em missões nos países próximos, papel que cumpria quando conhecera Sophie. 14 anos após casados, Sophie decide, com maus presságios, partir para Sarajevo, na conturbada visita, que inicia com um atentado que fere um dos membros da comitiva. Quando Ferdinando vai ao hospital visitar o ferido, ao lado de Sophie, é morto durante o trajeto.
Um dos filmes menores do cineasta, cujo final se desembaraça de seu drama privado para uma série de explanações sobre o desencadeamento da I Guerra Mundial e a situação contemporânea ao momento no qual foi produzido de forma demasiado abrupta. Tomando partido da figura feminina, como habitualmente faz, Ophüls observa mais um exemplo de auto-sacrifício pessoal em detrimento do amado – que tampouco deixa de fazer concessões a partir do momento que aceita as restrições que envolvem o casamento no que diz respeito aos filhos, mas sendo seu personagem observado de forma algo opaca e anódina, na figura de um homem consciensoso e belo e não mais que isso. De todo modo outros filmes do realizador expressam melhor tal condição, como Carta de uma Desconhecida (1948). Como em outras produções do realizador os conflitos mais patentes são os que envolvem os desejos individuais se confrontando com as convenções sociais, para o azar dos primeiros. O filme tampouco esboça sequer de longe a virtuosidade estilística de algumas produções anteriores assinadas por Ophüls, tal como La Signora di Tutti (1934). O fato dos eventos políticos, como habitual, ficarem restritos a segundo plano diante do drama romântico, torna ainda mais estranha a intervenção que ocorre no epilógo,  elegíaca e sem que se tenha qualquer reação de Sophie ao seu amado morto ao seu lado – tudo é observado de longe. Evidentemente que o filme seria censurado quando de seu lançamento, numa França já dominada, sendo lançado somente cinco anos após. Planos documentais são inseridos como representação da multidão ovacionando o monarca e seu sucessor. B.U.P Française para Compagnie Cinématographique de France. 95 minutos. 

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