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segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Filme do Dia: O Médico e o Monstro (1941), Victor Fleming



O Médico e o Monstro (Dr. Jekyll and Mr. Hyde, EUA, 1941). Direção: Victor Fleming. Rot. Adaptado: John Lee Mahin baseado no romance de Robert Louis Stevenson. Fotografia: Joseph Ruttenberg. Música: Franz Waxman. Montagem: Harold F. Kress. Dir. de arte: Cedric Gibbons. Cenografia: Edwin B. Willis. Figurinos: Adrian & Gil Steele. Com: Spencer Tracy, Ingrid Bergman, Lana Turner, Donald Crisp, Ian Hunter, Barton MacLane, C. Aubrey Smith, Peter Godfrey, Sara Algood, Frances Robinson, Dennis Green.
O respeitado Dr. Jekyll (Tracy), noivo da bela Beatrix Emery (Turner), consegue pôr em prática suas experiências sobre a divisão da personalidade humana entre o bem e o mal em regiões do cérebro. Após testar suas experiências com animais e com um doente mental que morre, Jekyll consegue transformar sua própria personalidade, autodenominando-se Sr. Hyde. É na pele de Hyde que ele passa a infernizar a vida da prostituta Ivy Peterson (Bergman), a quem descarrega toda sua animalidade ausente no amor romântico com a sua noiva. Inicialmente contrário ao casamento da filha com o controvertido médico, Sir Charles Emery (Crisp) concorda com o casamento. No dia que se celebraria a união, no entanto, Jekyll transforma-se involuntariamente em Hyde e assassina Ivy, que havia buscado ajuda com Jekyll. Atormentado com o crime cometido, Hyde busca ajuda no amigo de Jekyll, Dr. Lanyon (Hunter), a quem revela seu segredo. Depois de romper com Beatrix sem  lhe revelar a verdadeira  causa,  a súbita transformação em Hyde ainda faz com que agrida Beatrix e seu pai. Fugindo da polícia ele se refugia na casa de Jekyll, porém é desmascarado por Lanyon que o mata quando ele tenta agredi-lo.
Essa que é a segunda versão sonora do célebre romance de Stevenson, apesar de mais luxuosa e com uma estética visual em que se destaca o fluente trabalho de câmera, mais de acordo com os anos 40, assim como ângulos mais rebuscados, evocativos da obra de Wyler e Welles contemporânea, ao final das contas se encontra longe de conseguir o efeito da produção dirigida por Mamoulian, dez anos antes. Fundamental para seu insucesso é a ausência da polarização do esquizóide protagonista representada de modo radical e da intensidade sexual furiosa e anárquica vivida com requintes de cinismo por March na versão anterior, reflexo de um cinema mais anemicamente assexuado imposto à industria cinematográfica norte-americana a partir do Código Hays, em 1933. Do mesmo modo, até os efeitos visuais utilizados pelo filme chegam longe da criatividade de Mamoulian. Aqui, já amplamente domesticados por uma estrita alusão ao universo diegético (seja na transformação de Jekyll em Hyde, por sinal bem menos acabada ou ainda na representação de seus delírios). Um dos poucos trunfos do filme é o seu prólogo com a presença de um bispo um tanto quanto sinistro vivido por C. Aubrey Smith. Produzido também por Fleming, realizador conhecido por sua pouco criatividade visual e por ter assinado pouco antes a direção de ...E O Vento Levou (1939). Loew´s/MGM. 113 minutos.


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