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sexta-feira, 9 de junho de 2017

The Film Handbook#131: Abraham Polonsky

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Abraham Polonsky
Nascimento: 05/12/1910, Nova York, Nova York, EUA
Morte: 26/10/1999, Beverly Hills, Los Angeles, EUA
Carreira (como diretor): 1948-71

Abraham Lincoln Polonsky merece atenção como provavelmente o exemplo mais extremado de um realizador talentoso cuja carreira foi arruinada pela perniciosa lista negra macarthista que seguiu a caça às bruxas anticomunista dos idos dos anos 50. De fato, ele passou a maior parte de sua vida ativa em forçada obscuridade, escrevendo anonimamente roteiros para o cinema e para a TV.

Após uma diversidade de empregos, Polonsky - que já havia escrito para o rádio, para não mencionar diversos romances - foi contratado pela Paramount como roteirista. Seu trabalho para Cigana Feiticeira/Golden Earrings, de Leisen, foi reescrito ao ponto de se tornar irreconhecível, mas Corpo e Alma, dirigido por Robert Rossen, foi uma incomumente cínica saga de boxe, na qual os sonhos de sucesso do herói do cortiço levam-no não somente a rejeitar as formas honestas de viver de sua família, amigos e amante, mas de angariar lutas em busca de fama e fortuna. Uma visão ainda mais mordaz da integridade destruída pela atração por dólares foi evidente na estreia de Polonsky na direção, A Força do Mal/Force of Evil>1. Um filme noir tenso, filmado parcialmente em locações em Nova York, sobre um advogado trabalhando para um grupo de meliantes que justificam suas atividades criminais pela referência aos imundos lucros - até que seu irmão, jogador nas horas vagas e resolutamente independente da Máfia, vem a ser morto pelos rufiões. Mesmo sendo um thriller de vingança, a ênfase na ganância e corrupção sugerem que Polonsky também pretendia atacar as ambições mortíferas e egoístas forjadas pelo otimismo capitalista do Sonho Americano.

Após escrever Ambição de Mulher/I Can Get It For You Wholesale, no qual a obsessão americana por dinheiro servia como base para uma sátira sobre intrigas na indústria do vestuário, Polonsky foi chamado perante o Comitê de Atividades Anti-Americanas (CAAA), e alegou a quinta emenda, portanto efetivamente sacrificando uma carreira enquanto diretor-roteirista de visibilidade. Na verdade, até quando finalmente veio a ser creditado por escrever o impressionantemente ambíguo suspense policial Madigan, de Siegel, ele foi continuamente remunerado; seu nome, no entanto, nunca aparecia nos créditos, tão grande havia sido a sombra lançada pela lista negra. Finalmente, 21 anos após A Força do Mal, dirigiu um segundo filme, Willie Boy/Tell Them Willie Boy is Here, um western liberal e amargo sobre um índio (leia-se: Polonsky) impiedosamente perseguido por um xerife WASP, símbolo de uma impiedosa e insensível sociedade branca. Infelizmente, o filme foi previsível, sua narrativa e visuais vacilantes dando evidências de sua longa ausência por trás das câmeras. No ano seguinte ele realizou Romance de um Ladrão de Cavalo/Romance of a Horse Thief, ambientado na fronteira da Polônia em 1904; tido como banal, raramente tem sido visto desde então.

Polonsy quase certamente não voltará a dirigir, mesmo existindo esperanças que Bertrand Tavernier (um especialista nos anos do Mccarthismo) dirigirá um roteiro que o próprio Polonsky adaptou de um romance semi-autobiográfico, Season of Fear, a respeito de um diretor chamado a testemunhar perante a CAAA.Tanto seu desejo de proporcionar uma alternativa cáustica a oratória tradicional de Hollywood, quanto seu apurado ouvido para diálogos estilizados mas coloquiais são evidentes em Corpo e Alma e A Força do Mal, sugerindo que ele poderia ter se tornado um grande realizador não houvesse os assistentes de McCarthy interferido.

Cronologia
Pode-se comparar o uso do gênero em Polonsky para refletir sobre questões sociais com o de Losey, Rossen, Fuller, Dassin, o primeiro Kazan, Dmytryk e Richard Brooks.

Destaques
1. A Força do Mal, EUA, 1948 c/John Garfield, Thomas Gomez, Beatrice Pearson

Texto: Andrew, Geoff. The Film Handbook. Londres: Longman, pp. 223-4.


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