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quinta-feira, 15 de junho de 2017

Filme do Dia: Nina (2013), Elisa Fuksas

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Nina (Itália, 2013). Direção: Elisa Fuksas. Rot. Original: Elisa Fuksas & Valia Santella. Fotografia: Michelle D’Attanasio. Montagem: Eleonora Cao & Natalie Cristiani. Dir. de arte: Carmine Guarino. Figurinos: Grazia Colombini. Com: Diana Fleri, Luca Marinelli, Ernesto Mahieux, Luigi Cattani, Marina Rocco, Andrea Bosca, Claudio Della Seta.
Nina (Fleri) é uma jovem ainda nem mesmo balzaquina, que já tem consciência de sua estranheza com relação ao mundo “normal”. Ela passa alguns dias no apartamento de um amigo, para tomar conta de seu cão depressivo e seu hamster. Aos poucos surge uma amizade com o garoto solitário Ettore (Catani), que se encontra bem consciente das peculiaridades de Nina. Ela estuda caligrafia japonesa com o Professor De Luca (Mahieux), dá lições de canto a uma garota (Rocco) e se envolve emocionalmente com um músico, Fabrizio (Marinelli).

Há uma sensibilidade evidente na forma como o filme expõe seu personagem, na contracorrente dos cacoetes maneiristas de uma produção hollywoodiana. Algo em boa parte conquistada graças a interpretação notável de Fleri. O rigor opressivo das composições a partir de um desértico EUR, o mesmo bairro modernista que havia servido como cenário para o clássico O Eclipse, de Antonioni, acentuam uma continuidade com dificuldades vinculadas ao afeto e a definição profissional, sendo que a primeira já se encontrava presente meio século antes na produção referida. E, como naquele, ainda que de forma mais didática e menos brilhante, os “cenários” representados pelas locações assumem a função de verdadeiros estados de alma da personagem. De fato, a arquitetura apresentada pelo filme, ao menos da forma como posto, suscita uma aura de esteticismo que é plena identificação com Nina, mas igualmente um vazio de afeto e comunicação intensa. Há uma evidente conformação à sua época, fazendo com que os gestos de Monica Vitti no filme de Antonioni soem demasiados. Suas referências ao universo do cinema também envolvem obras mais recentes como a de Nanni Moretti, Caro Diário. Longe de ser encaminhado por seus diálogos, antes o é pelo cotidiano de situações recorrentes de sua protagonista em um espaço de tempo determinado. Suas composições de imagem de tão esmeradas que são, soam  quase como despossuídas de movimentos de câmera, algo ressaltado, de forma quase caricata, na justaposição de planos de uma pequena plateia que assiste a apresentação de cello do rapaz  por quem Nina se interessa. Magda Film/Paco Cinematografica/RAI Cinema para Fandango. 84 minutos.

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