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quinta-feira, 1 de junho de 2017

Filme do Dia: O Homem do Braço de Ouro (1955), Otto Preminger

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O Homem do Braço de Ouro (The Man with the Golden Arm, EUA, 1955). Direção: Otto Preminger. Walter Newman & Lewis Meltzer, baseado no romance de Nelson Algren. Fotografia: Sam Leavitt. Música: Elmer Bernstein.  Montagem: Louis R. Roeffler. Dir. de arte: Joseph C. Wright. Cenografia: Darell Silvera. Figurinos: Mary Ann Nyberg. Com: Frank Sinatra, Eleonor Parker, Kim Novak, Arnold Stang, Darren McGavin, Robert Strauss, John Conte, Doro Merande.
Após sair da prisão, o viciado em heroína Frankie Machine (Sinatra) é tentado pela sordidez e falta de dinheiro a voltar a procurar o traficante Louie (McGavin), sendo pressionado inclusive por sua mulher Zosch (Parker), paralítica desde um acidente de carro no qual Frankie dirigia. Embora tente por em prática o que aprendeu na prisão como baterista, a única pessoa que acredita nele é Molly (Novak). Por necessidade, volta a ser crupiê nos jogos ilegais  por Schwiefka (Strauss). Zosch, na verdade, finge ser paralítica e quando Louie descobre seu segredo mata-o. Frankie é tido como o assassino pela polícia. Em crise de abstinência da droga, Frankie pede que Molly o tranque em seu apartamento e não o deixe sair por nada. Quando a polícia vai busca-lo no apartamento de Molly, Frankie, já recuperado, havia ido se despedir de Zosch. Quando percebe que Frankie irá realmente abandona-la, Zosch fica de pé e é flagrada não somente por Frankie, mas igualmente pela polícia que chega naquele momento. Ao tentar fugir da polícia escorrega da escada e morre.

Esse que talvez tenha sido um dos filmes decisivos no enfrentamento aos valores morais impostos pelo Código Hays há duas décadas, pode também ser o primeiro a lidar com relativa abertura com a questão dos viciados em drogas. Por conta disso foi recusado seu selo de reconhecimento por parte da empresa que representa a indústria de cinema americana, situação que somente seria contornada no ano seguinte, quando o Código incluiu temáticas antes proibidas como drogas, prostituição e aborto. Sinatra, em papel recusado por Marlon Brando, faz um viciado que no seu momento de “cold turkey”, como é conhecida a crise de abstinência entre os viciados em heroína e expressão utilizada pelo filme em mais de um momento, procura dar um espetáculo no mais puro expressionismo a la Actor´s Studio. Sua atualização do naturalismo presente já no cinema de Griffith é patente tanto no discurso moral de Molly para com Frankie quanto no final trágico reservado aos vilões. Aqui, ainda mais que nos seus antecessores do cinema mudo, onde os vilões eram geralmente presas da lei, existe uma justiça quase providencial que faz com que os dois vilões que impediam a retidão de caráter de Frankie, ainda que como memória viva, tenham o mesmo fim trágico da queda literal, mais associado com os contos infantis. Não menos inverossímil é o fato de um novo homem nascer após apenas uma crise de abstinência ter sido domada. Tudo é pavimentado para que, há poucos metros do cadáver de sua esposa exploradora, Frankie possa olhar para o futuro que se descortina ao lado da figura da prostituta de bom coração representada por Novak. Preminger é conhecido por seus dramas com temáticas então polêmicas, como foi o caso igualmente de Anatomia de um Crime (1958) e Tempestade Slobre Washington (1962). Carlyle Productions para a United Artists. 119 minutos.

3 comentários:

  1. De uma conferida no texto, ao final, Cid. Não tenho mais certeza de coisa alguma, mas creio que Testemunha de Acusação é de Billy Wilder. Creio que você fez confusão com Anatomia de um Crime, este sim, de Otto Preminger.

    Abraços.

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  2. sim, você tem razão. confundi os dois. Obrigado pela retificação. Esse texto foi escrito muito tempo atrás e devo ter deixado passar esse lapso.

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