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quinta-feira, 22 de junho de 2017

Filme do Dia: De Longe Te Observo (2015), Lorenzo Vigas

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De Longe Te Observo (Desde Allá, Venezuela/México, 2015). Direção: Lorenzo Vigas. Rot. Original: Lorenzo Vigas, a partir do argumento dele próprio e de Guillermo Arriaga. Fotografia: Sergio Armstrong. Montagem: Isabela Monteiro de Castro. Dir. de arte: Matías Tikas. Cenografia: Carolina Carlini Bellazzini. Figurinos: Marisela Marin. Com: Alfredo Castro, Luis Silva, Jericó Montilla, Catherina Cardozo, Jorge Luis Bosque, Greymer Acosta, Auffer Camacho, Ivan Peña.
Armando (Castro), homem de 50 anos, leva jovens a sua casa para que se dispam diante dele enquanto se masturba. Certo dia encontra um jovem, Elder (Silva), que se recusa a se despir, insulta-o e o agride. Ainda com sequelas da agressão, Armando volta a procura-lo e uma relação se estabelece. Certo dia Armando não o encontra e, através de amigos, chegará a um Elder bastante machucado pela agressão praticada pelos irmãos de sua namorada. Leva-o para casa e, dias depois, flagra-o tentando assaltar o seu cofre. Expulsa-o de casa e é vítima de uma nova agressão. Retorna, pedindo desculpas e vai com Armando até o hospital. Apresenta-o para todos os amigos e sua mãe, mas por ter sido flagrado beijando Armando no banheiro, provocará a rejeição da mãe e dos amigos. Elder mais uma vez buscará auxílio em Armando, e promete matar o pai desse, sobre quem Armando não guarda nada além de rancor. E o faz. Armando, que havia feito amor com Elder a noite, na manhã seguinte entrega-o à polícia.

Com um roteiro que se apropria obliquamente das conquistas de representação das minorias por uma via um tanto perversa, fazendo com que seu protagonista consiga levar adiante a sua impossibilidade de vivenciar uma relação de afeto enquanto a máscara de machão violento rui de forma algo previsível, demonstrando não mais ser que uma forma de defesa diante das dificuldades do meio em que vive. Vigas aposta em contar tudo de forma emocionalmente distanciada, sem trilha sonora, porém o que fica patente, como em certo cinema latino contemporâneo (a exemplo de Laraín, de quem Castro inclusive atuou em O Clube) é que tanto essa opção já não é nada exatamente tão digna de nota assim e, pior, parece pavimentar uma trilha para uma certa falsa profundidade que parte de motivos demasiado comezinhos em sua pretensa “sensação”. Observa-se um personagem que vacila diante do afeto, algo incomum em sua trajetória e outro que se rende, meio que por completo e de forma não de todo inverossímil, ao campo que até então era do “inimigo” – para efeitos comparativos, observe-se o tratamento mais inflexível da composição dos personagens de Mala Noche de Van Sant. E, mesmo que não explicitando a motivação do “trauma” afetivo de Armando de forma didática e trivial como a produção norte-americana habitualmente o faz, pode-se imaginar na figura paterna a sombra do abuso tanto de Armando como de sua irmã. Como em produções similares contemporâneas a energia criativa é canalizada muito mais para sua elaboração narrativa que propriamente demonstrando um interesse maior por seus personagens.  O título parece algo equívoco, no sentido que se observa Armando em um  momento de exceção, interessado de fato por alguém, e não na sua habitual rotina como voyeur, que poderia trazer elementos interessantes para dialogar com o próprio ato espectatorial de se assistir um filme. Longa de estreia do realizador. Leão de Ouro no Festival de Veneza. Factor RH Producciones/Malandro Films/Lucia Films. 93 minutos. 

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