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terça-feira, 22 de novembro de 2016

Filme do Dia: The Brown Bunny (2003), Vincent Gallo


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The Brown Bunny (EUA, 2003). Direção, Rot. Original, Montagem, Dir. de arte, Cenografia e Figurinos: Vincent Gallo. Com: Vincent Gallo, Chloë Sevigny, Cheryl Tiegs, Elizabeth Blake, Anna Vareschi, Mary Morasky.
Bud Clay (Gallo), piloto de moto profissional, atravessa os Estados Unidos até Los Angeles para acertar suas dívidas para com o passado trágico, que envolve sua ex-amante viciada em drogas Daisy (Sevigny) e um filho morto. Durante o caminho, encontra várias mulheres com quem mantém contatos ocasionais, como Violet (Vareschi), jovem que promete levar em sua viagem, mas que deixa na casa de sua família ou a prostituta Rose (Blake), que encontra em Las Vegas, paga uma merenda e a deixa em algum lugar da cidade.
Gallo, cineasta do cultuado Buffalo`66 (1998), volta ao road movie numa incursão amarga e soturna pelo cenário americano, evocativa de muito do que já se produziu nesse sentido, da literatura beatnik ao cinema de Wim Wenders (Paris, Texas pela similar epopéia do protagonista perdido, mas não menos No Decorrer do Tempo, enquanto experiência fenomeno-fisiológica radical) ou John Cassavetes (o momento em que Bud abraça e beija uma balzaquiana solitária na beira da estrada, espécie de comunhão dos desesperados, possui uma proximidade que evoca Faces) e Sem Destino. Para não falar de toda a tradição do herói solitário evocada por décadas de westerns.  Naturalmente Gallo não possui o mesmo talento de seus predecessores citados. Sua direção de atores é um tanto modesta quando comparada a Cassavetes, a dimensão de efetiva transcendência buscada nas cenas de viagens associadas às canções melancólicas não chega a ser convincente de todo, como em Wenders e, a seu modo, traduz uma verdadeira desesperança que vai muito além do protagonista, sendo um retrato da própria nação. Nesse sentido, sua melancolia parece o oposto da anarquia e vitalidade presentes no filme de Dennis Hopper, como que refletindo momentos históricos diametricamente opostos. Constituído de pequenos e lacônicos encontros entremeados por longos planos de paisagens e música do ponto de vista do motorista, o filme perde quando, próximo do final, cai na tentação de explicitar através de um flashback alucinatório (com direito a uma seqüência explícita de sexo oral) de Bud a morte de Daisy e do filho, um tanto quanto redundantemente, quando seria muito mais interessante seguir no mesmo ritmo de registrar as ações de Bud de uma maneira quase documental e não através da sempre necessária motivação psicológica, como é o caso das melhores obras de Cassavetes. Essa versão é 26 minutos mais curta que a exibida em sua estréia no Festival de Cannes. Kinetique Inc./Vincent Gallo Productions/Wild Bunch. 93 minutos.


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