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quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Filme do Dia: Da Manjedoura à Cruz (1912), Sidney Olcott


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Da Manjedoura à Cruz (From the Manger to the Cross, EUA, 1912). Direção: Sidney Olcott. Rot. Adaptado: Gene Gautier.  Fotografia: George K. Hollister. Dir. de arte: Henry Allen Farnhan. Com: Robert Henderson-Bland, Percy Dier, Gene Gautier, Alice Hollister, Samuel Morgan, James D. Ainsley, Robert G. Vignola, George Kellog, Sidney Babe, Montague Sidney, Jack J. Clark.
A anunciação. A aparição de um anjo em sonho que anuncia a verdade para José (Sidney), que havia se afastado de Maria (Gautier), desde sua gravidez. O nascimento de Jesus. Sua visita pelos Reis Magos. A fúria de Herodes (Kellog). A fuga pelo Egito. A infância de Jesus (Dyer), com os pais, que o flagram discutindo entre os sábios. Já adulto (Henderson-Bland), sendo visitado por uma pecadora arrependida, Maria Madalena (Hollister). Pregando e arrebanhando apóstolos. A sucessão de milagres e curas, entre elas a ressureição de Lázaro (Baber). Expulsando os mercadores do templo. Caminhando sobre o mar. Antevendo a traição de Judas (Vignola) na última ceia. Preso e levado a Pilatos (Morgan), que o entrega a Herodes, que o leva novamente a Pilatos, que manda açoitá-lo e o deixa entregue ao povo. As torturas e o caminho para o Calvário. Sua crucifixação e morte.

O que há, sem dúvida, de mais notável nessa película de Olcott, é a busca de um efeito realista, que foge as estilizadas Passions Plays, gênero bastante vigoroso e já presente nos primeiros anos do cinema, filmadas em estúdio (a exemplo de A Vida e Paixão e Jesus Cristo, de Zecca). Para efeitos comparativos, basta-se observar a passagem pelas pirâmides e pela Esfinge de Gize nas duas produções para se perceber a diferença. Autenticidade que também está presente através de cartelas, todas elas sem exceção, referências diretas a passagens dos evangelhos do Novo Testamento. Todas as cartelas, como no filme de Zecca, evitam o diálogo, enquanto potencial empobrecimento e vulgarização das ações “divinas”, algo que o cinema sonoro teve que aprender a lidar. Tampouco, a exceção da seqüência do milagre da caminhada sobre o mar, faz uso de artifícios de trucagens para enfatizar os milagres de Cristo ou as aparições dos anjos, em completa oposição ao filme de Zecca. Aqui, as mensagens dos anjos são referidas como tendo ocorrido em sonhos e não existe qualquer ilustração das mesmas. Seu tom ascético e sua opção por locações reais no Egito e Jerusalém, antecipam uma proposta semelhante realizado por Pasolini, com seu O Evangelho Segundo São Mateus(1964). Por outro lado, tampouco deve ser esquecido a menor utilização dos próprios recursos cinematográficos na elaboração da narrativa. Nesse sentido, o filme de Zecca, mesmo realizado sete anos antes, possui várias panorâmicas. Aqui todos os planos, sem exceção, são efetivados com câmara fixa. Ainda que o filme apareça com o crédito da Vitagraph, célebre companhia rival da Biograph em que Griffith realizou a maior parte de seus filme, trata-se de uma estratégia para seu relançamento, seis anos após sua estréia, tendo sido produzido pela companhia Kalem, adicionando material a montagem original. Uma outra versão, datada de 1938, adicionou trilha musical, narração e planos aproximados, atestando o longevo interesse pelo mesmo. Olcott surge numa ponta, como um dos cegos que é curado por    Cristo. Vitagraph. 71 minutos.

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