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domingo, 6 de novembro de 2016

Filme do Dia: A Queda! As Últimas Horas de Hitler (2004), Oliver Hirschbiegel


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A Queda! As Últimas Horas de Hitler (Der Untergang, Alemanha/Itália/Áustria, 2004). Direção: Oliver Hirschbiegel. Rot. Adaptado: Bernd Eichinger, baseado nos livros de Joachin Fest, Traudl Junge e Melissa Muller. Fotografia: Rainer Klausmann. Música: Stephan Zacharias. Montagem: Hans Funck. Dir. de arte: Bernd Lepel. Figurinos: Claudia Bobsin. Com: Bruno Ganz, Alexandra Maria Laura, Ulrich Mattes, Julianne Köhler, Heino Ferch, Christian Berkel, Matthias Habbich.
Abril de 1945. Com a ameaça da invasão iminente dos russos ocorre uma gradual desintegração do comando de liderança nazista. A jovem e inocente Traudl Junge (Laura), secretária particular de Hitler (Ganz), acompanha todo o processo de perto. A falta de consenso entre os altos oficiais,  deserções, os ataques coléricos de Hitler, a promiscuidade suicida e anarquia generalizada no bunker, a onda de suicídios que se inicia com o próprio suicídio de Hitler e Eva Braun (Köhler), o envenenamento dos filhos de Goebbels (Matthes) por sua esposa (Harfouch) e, por fim, a fuga de Traudl com um jovem ex-voluntário que encontra os pais mortos após a morte de Hitler.

Reconstituição que procura explorar, em pelo menos dois sentidos da palavra, os bastidores da agonizante elite nazista. No primeiro, enquanto descrição no sentido mais factual do termo, no que poderia ser uma versão ficcional dos documentários do cinema direto americano, o filme não é bem sucedido,  pois se utiliza dos gastos recursos da identificação fácil com as figuras de Traudl e do garoto, cada qual a seu modo, vítimas da situação, e dos cacoetes típicos de filmes de gênero como o suspense, o que caracteriza sua proximidade maior com o segundo sentido. Ou seja, todo o filme é construído em torno do voyeurismo mórbido de se observar o desmoronamento do comando nazista – sobretudo seu líder supremo. Em termos narrativos, embora o filme seja calcado no ponto de vista de Traudl, as situações estão em sua maior parte longe de terem sido testemunhadas por ela e mesmo bastante distantes de seu universo de conhecimento, o que demonstra as estratégias utilizadas pelo roteirista (e também célebre produtor) Eichinger de unir informações de dois livros diversos. Há uma clara opção do filme de ser simpático a Traudl e confirmar sua posição de inocente útil diante dos fatos, situação que ainda é mais ressaltada pelo depoimento da mesma logo após os créditos, pouco antes de falecer (extraído do documentário Eu Fui a Secretária de Hitler, realizado dois anos antes). Enfim, pode-se afirmar que a proposta do filme se encontra mais próxima da utilização de elementos da história para provocar sensações da mesma ordem dos filmes de gênero em Spielberg, por exemplo, do que de qualquer pretensão de ir além no campo das idéias como, por exemplo, Sukorov com Moloch (1998) ou Syberberg com Hitler - um Filme da Alemanha (1978, curiosamente produzido pelo mesmo Eichinger). Constantin Film Produktion GmbH/NDR/WDR/Degeto Film/ORF/EOS Ent./Rai. 156 minutos.

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