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quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Filme do Dia: Minha Secretária Brasileira (1942), Irving Cummings

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Minha Secretária Brasileira (Springtime in the Rockies, EUA, 1942). Direção: Irving Cummings. Rot. Adaptado: Walter Bullock & Ken Englund, a partir do conto de Philip Wylie. Fotografia: Ernest Palmer. Música: Charles Henderson & Alfred Newman. Montagem: Robert L. Simpson. Dir. de arte: Richard Day & Joseph C. Wright. Cenografia: Thomas Little. Figurinos: Earl Luick. Com: Betty Grable, John Payne, Carmen Miranda, Cesar Romero, Charlotte Greenwood, Edward Everett Horton, Harry James, Bando da Lua.
Os artistas de Broadway Vicky Lane (Grable) e Dan Christy (Payne) brigam pelos ciúmes dela por encontrar sempre eventualmente provas de como ele é mulherengo. Christy a segue. Para fazerem ciúmes um ao outro, Vicky demonstra interesse por um don Juan canastrão, Victor Prince (Romero), enquanto Christy simula interesse por sua sensual secretária brasileira, Rosita (Miranda).
Um pouco saturado das recorrências em suas comédias musicais, Cummings apela para algumas poucas variações. Abandona os trópicos pelo Canadá. Investe numa inclusão maior de Carmen Miranda na narrativa para além de seu papel como cantora  - aqui ela surge como secretária e sem os balagandãs e traje de cena habitual – ainda que já no segundo terço do filme. Já na segunda aparição de Carmen, em plena persona, tudo soe ainda mais bizarro, pois ela se veste à caráter como baiana para atender seu patrão como secretária, sendo indagada imediatamente se é assim que as secretárias trabalham no Brasil. E  que nem se sonhe em se indagar porque, sendo brasileira, seu nome é Rosita e tampouco porque sempre ela é filha de irlandeses com brasileiros. Os números  que seguem o padrão tradicional desse ciclo de musicais de serem representações de apresentações públicas, tornam-se ocasionalmente aqui, como no primeiro número cantado por Miranda, uma versão abrasileirada do enorme sucesso de então Chattanooga Choo Choo numa apresentação privada para  Christy/Payne, mesmo que Carmen não deixe de recorrer ao “olhar da câmera” tal como nas apresentações públicas dos filmes anteriores. Outra novidade é a incorporação de um dos maiores sucessos no ramo das big bands, Harry James, cuja obra-prima You Made Me Love You (que seria incorporada de forma bem mais significativa em Hannah e Suas Irmãs, de Allen, décadas após) é injustamente a escolhida para provocar a ira do insone herói em seu quarto de hotel. A aparente ascendência de James sobre os números musicais de Miranda na primeira metade do filme parecem sinalizar para um esgotamento do “filão latino” made in Hollywood. Ledo engano, como comprovará  o desaparecimento súbito de James e a presença de outros números musicais com Miranda, cantando rápido e em português (sobretudo em O Tico-Tico do Meu Coração). Outro sinal de prestígio da artista é a presença na trilha de arranjos incidentais de  I, Yi, Yi, Yi, Yi Like You Very Much e Chica Chica Boom Chic, ambas canções de Uma Noite no Rio, a demonstrar sua aceitação popular.  Os roteiros, como sempre, são traçados para que qualquer relação inter-racial não ocorra, sendo a cena em que Grable e Miranda vão ao banheiro paradigmática. Ao voltarem, Miranda se senta ao lado de Romero, seu habitual par latino e Grable do inexpressivo Payne. Ainda que o par de Miranda aqui seja não Romero e sim Horton, ela também não demonstra menor resistência em ser beijada por Payne, acenando para uma potencial promiscuidade latina longe de similar em sua colega loura (Alice Faye havia sido originalmente designada para o papel, mas engravidara). Há o momento até para  o patético bailado de Charlotte Greenwood, com seu habitual levantar exagerado de pernas herdeiro dos números de vaudeville. O comentário, algo enfastiado, de Grable a Payne ao fato dele a levar para um “cenário romântico”, surge involuntariamente como sinal para as habituais projeções ao fundo que habitam o espaço das cenas românticas ou ao menos com intenções de. A história de Wylie já havia gerado uma primeira adaptação, próxima, dirigida pelo outro realizador profícuo de musicais do estúdio (embora não fosse um musical), Walter Lang, Segunda Lua-de-Mel (1937), com o mesmo título original desse aqui. Twentieth Century Fox Film Corp. 91 minutos.


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