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quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Filme do Dia: O Amor na Cidade (1953), Carlo Lizzani, Michelangelo Antonioni, Dino Risi, Cesare Zavattini, Federico Fellini & Alberto Lattuada

O Amor na Cidade (L´Amore in Cittá, Itália, 1953). Direção: Carlo Lizzani (L´Amore che si Paga), Michelangelo Antonioni (Tentato Suicido), Dino Risi (Paradiso per 4 Ore), Cesare Zavattini (Storia de Caterina), Federico Fellini (Un Agenzia Matrimoniale), Alberto Lattuada (Gli Italiano si Voltano). Rot. Original: Michelangelo Antonioni, (Tentato Suicido), Aldo Buzzi, Luigi Chiarini (menos no último), Luigi Malerba, Tullio Pinelli, Vittorio Veltroni, Cesari Zavattini (Gli Italiano si Voltano, Tentato Suicido, L´Amore che si Paga, Paradiso per 4 Ore), Alberto Lattuada (Gli Italiano si Voltano), Dino Risi (L`Amore che si Paga, argumento para Paradiso per 4 Ore), Marco Ferreri (Paradiso per 4 Ore). Fotografia: Gianni Di Venanzo. Música: Mario Nascimbene. Montagem: Eraldo Da Roma. Dir. de arte: Gianni Polidori. Com: Rita Josa, Rosanna Carta, Enricco Pelliccia (Tentato Suicido), Antonio Cifiariello, Livia Venturini (Un Agenzia Matrimoniale), Caterina Rigoglioso (Storia de Caterina), Mara Berni, Valeria Moriconi, Ugo Tognazzi, Raimondo Vianello (Paradiso per 4 Ore).
L´Amore che si Paga. Um repórter investiga a vida das prostitutas na noite italiana. Tentato Suicido. Um grupo de pessoas que já tentou o suicídio vai ao teatro para falar sobre suas experiências que levaram a tal ato. Paradiso per 4 Ore. Um grupo de jovens possui no baile o momento maior para flertar e conquistar alguém. Agenzia Matrimoniale. Um repórter (Cifiarello) se faz passar por interessado em casamento e visita uma popular agência matrimonial, que lhe acaba encaminhando uma pobre e jovem mulher (Venturini) que não se importa de se unir a um licantropo, desde que consiga certa estabilidade financeira. Storia di Caterina. Caterina (Rigoglioso) que já fora presa por um ano, abandona seu filho em um parque. A criança é descoberta por outros que a levam a uma instituição de caridade. Quando Caterina vai buscá-la, a polícia é chamada. Porém, ela é absolvida no julgamento. Gli Italiano si Voltano. A beleza das mulheres italianas desperta o insaciável desejo dos homens que, no entanto, esbarram com as condições adversas das ruas da cidade para se aproximarem de seus objetos do desejo.
Esse que foi um dos primeiros filmes de episódios italianos (recurso que se tornaria mais comum na década de 1960, gerando produções como Boccaccio 70’, de 1963, RoGoPaG, 1963, As Bruxas, 1966) porém não tão incomum à época (o contemporâneo Nós, as Mulheres, do mesmo ano é exemplo), consegue ser medianamente desinteressante. Talvez as duas únicas exceções que chamam a atenção sejam os episódios dirigidos por Maselli, o mais longo do filme (27 minutos), interessante não apenas por sua narrativa próxima de um Neo-Realismo emocionado à la de De Sica (não por acaso com roteiro do principal colaborador do mesmo, Zavattini) associado a uma acuidade e originalidade nos enquadramentos que acentua sua dramaticidade – como no momento em que se observa a criança abandonada pela mãe na vastidão deserta de um parque a partir da perspectiva da mesma) e Fellini. Quanto ao último, já se percebe a sua fluidez visual em chave operística que se tornará associada a seu nome de forma quase caricata posteriormente. Nesse sentido, a descrição da entrada do repórter no miserável prédio onde funciona a agência matrimonial é o ponto alto do episódio, que não se desenvolverá à altura. A costura do filme é a sua equiparação com um certo tipo de jornalismo investigativo, mesmo que seu apelo de mimetizar tal jornalismo através de uma narrativa bastante auto-consciente soe no mínimo ambígua e desgastada pelo tempo e também exageradamente dependente da narração off. Duas curiosidades: Caterina Rigoglioso aparentemente vive à si própria no filme, reproduzindo algo que teria ocorrido com ela mesma e motivara manchetes nos jornais, ainda que sua interpretação soe mais profissional, no mau sentido do termo, que o oposto. Tal estratégia será grandemente reapropriada  e sofisticada pelo cinema iraniano de quatro ou cinco décadas após em filmes como A Maçã (1998), de Samira Makhmalbaf ou Close-Up (1990), de Kiarostami; no episódio de Antonioni se observa na fachada do cinema La Signora Senze Camelie e a atriz que o protagoniza, Lucia Bose, tratando-se de filme dirigido por Antonioni no mesmo ano, modelo de auto-referência que será apropriado pouco depois pelos cineastas da Nouvelle Vague, em filmes como Os Incompreendidos (1958), de Truffaut. Faro Film. 105 minutos.


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