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quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Filme do Dia: Assalto ao Banco Central (2011), Marcos Paulo

Assalto ao Banco Central (Brasil, 2011). Direção: Marcos Paulo. Rot. Original: Renê Belmonte, Lucio Manfredi & Taís Moreno. Fotografia: José Roberto Eliezer. Música: André Moraes. Montagem: Felipe Lacerda. Cenografia: Adriana Palheiros. Com: Milhem Cortaz, Eriberto Leão, Hermila Guedes, Lima Duarte, Giulia Gam, Tonico Pereira, Gero Camilo, Vinicíus de Oliveira, Heitor Martinez, Cássio Gabus Mendes, Antônio Abujamra.
Barão (Cortaz) planeja assaltar o Banco Central e reúne comparsas do mundo do crime que incluem Mineiro (Leão), sua mulher Carla (Guedes), o irmão dela, Denivaldo (Moraes), que não sabe nada sobre a operação, o especialista em buracos Tatu (Camilo), o engenheiro comunista, Doutor (Pereira), dentre outros. Eles alugam uma casa e montam uma empresa de fachada, enquanto escavam um túnel que sairá em meio ao cofre do Banco Central, através de informações do ex-funcionário do banco, Moacir (Abujamra). A operação é bem sucedida, mas logo fissuras começam a ocorrer. Barão assassina um dos homens que havia reivindicado mais dinheiro por sua participação. Denivaldo, que acabara descobrindo tudo, deixa objeto pessoal no túnel. Carla abandona Barão por Mineiro. Alguns elementos da quadrilha começam a ser aos poucos monitorados pela policial Telma (Gam) e o delegado Amorin (Duarte). Aos poucos todos são presos, com exceção de Barão, cuja identidade continua incógnita e Doutor, que viaja para a França.
Problemática em vários sentidos a estréia de Marcos Paulo como diretor de cinema, mais conhecido por sua carreira como ator e diretor de TV. Do insuficiente roteiro, repleto de clichês e mal sucedididas pretensões cômicas (a única exceção sendo a inserção de Doutor em um restaurante grã-fino de Paris) à falta de ritmo. Dos diálogos canhestros à incompetência de se criar qualquer identificação com a situação de seus inúmeros personagens. Da trilha sonora, bizarra e deslocada em sua tentativa de criar uma tensão que não consegue emanar da própria narrativa ou das interpretações à contraposição, inspirada nos cacoetes típicos dos filmes norte-americanos, que separa a visão intuitiva e apaixonada do veterano vivido por Duarte da frieza e racionalidade “científicas” da policial interpretada por Gam. Porém, até mesmo na contraposição tampouco o filme é feliz, pois a relação que se pretende construir, de que os investigadores românticos, que descendem da literatura de Agatha Christie, Simenon, Chandler, etc., encontram-se com os dias fadados frente à impessoalidade da perícia científica e das novas tecnologias, acaba soando inepta já que dramaticamente demasiado tosca para se tornar minimamente efetiva, ainda mesmo quando clichê. Mesmo que o filme abuse da contraposição entre eventos “presentes” e “futuros”, através de inserções da investigação já no momento em que a trama ainda começa a ser apresentada ele relativamente se contém em termos de se explorar a dimensão cartão postal de Fortaleza.  Total Ent. para  Fox Film do Brasil/Globo Filmes/Telecine e NET. 101 minutos.


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