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quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Filme do Dia: Em Busca de um Homem (1957), Frank Tashlin

Em Busca de um Homem (Will Sucess Spoil Rock Hunter?, EUA, 1957). Direção: Frank Tashlin. Rot. Adaptado: Frank Tashlin, baseado na peça de George Axelrod. Fotografia: Joseph MacDonald. Música: Cyril J. Mockridge. Montagem: Hugh S. Fowler. Dir. de arte: Leland Füller & Lyle R. Wheeler. Cenografia: Bertram C. Granger & Walter M. Scott. Figurinos: Charles Le Maire. Com: Tony Randall, Jayne Mansfield, Betsy Drake, Joan Blondell, John Williams, Henry Jones, Lili Gentle, Mickey Hargitay.
     O publicitário recém-desempregado Rockwell Hunter (Randall) vê sua vida subitamente transformada e a chegada do sucesso quando se torna o queridinho da estrela de cinema do momento, Rita Marlowe (Mansfield). Porém tal cartada publicitária, se ajuda  Hunter a ascender meteoricamente na firma que lhe despedira, acaba prejudicando sua relação com a noiva Jenny Wells (Drake). Quando se encontra no auge da carreira, Hunter desiste de tudo para viver como fazendeiro com Jenny e sua sobrinha April (Gentle).
     O visual e o humor explicitamente inspirados nos desenhos clássicos da Warner, para quem Tashlin trabalhara durante anos, de uma fina ironia com o estilo de vida americano e seus valores, são o maior dos trunfos desse que é um dos melhores filmes do cineasta. Sua auto-paródia não poupa, já de início, a famosa fanfarra do estúdio, com Randall apresentando o próprio filme, numa referência constante ao meio televisivo, que ameaçava a própria indústria cinematográfica e que é ironizado, por sua tecnologia ainda precária, em uma nova intervenção, na metade do filme. Nesse jogo em cascata de referências, a personagem de Marlowe é associada a um filme realizado pela própria Mansfield que, por sua vez, é uma caricatura de Marilyn Monroe dentro e fora das telas (o nome de seu personagem é uma mescla de Monroe, Rita Hayworth e Jean Harlow). A ironia com o Sonho Americano é pontuada, a  todo momento, pelo jingle You Got it Made (num processo de criação muito semelhante ao realizado por Fellini em seu posterior episódio para Boccaccio’70) e fades de cores vibrantes, sublinhando a atmosfera de fantasia do filme (Bergman, utilizar-se-ia de um recurso equivalente para seu Gritos e Sussurros). Embora o filme possua várias gags subliminares com relação á sexualidade, de cunho abertamente sexista, muito recorrentes nas comédias de Billy Wilder, como uma simulação de orgasmo e insinuações de lesbianismo, o universo do cineasta é menos cínico e amoral que o de Wilder. Curiosamente, mais um elemento nesse jogo entre fantasia e realidade é que o amante abandonado pela estrela no filme, torne-se marido de Mansfield. Lançado na televisão com o título de O Grande Sucesso de Rock Hunter.  National Film Registry em 2000. 20th Century-Fox. 93 minutos.

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