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sábado, 4 de outubro de 2014

Uma Sobremesa, 1814



O filho mais velho de Charles Wilson Peale, um dos mais importantes e influentes artistas dos primórdios da república americana, Raphaelle Peale foi não somente um versátil pintor, mas também um com uma particular especificidade. Como William Dunlap, o primeiro historiador da arte americana  escreveu em 1834, ele foi, como seu pai, "um pintor de retratos à óleo e miniaturas, mas se sobressaiu nas composições de naturezas-mortas. Talvez possa ser considerado o primeiro à sua época que adotou este gênero de pintura nos Estados Unidos." A escolha de Raphaelle Paele por naturezas-mortas foi considerada excêntrica por estetas tais como o inglês Joshua Reynolds, que as considerava muito abaixo das pinturas históricas, como uma forma de expressão artística menor. Nas mãos de Peale, entretanto, as naturezas mortas são investidas de um senso de beleza atemporal e gravidade que lhes dá sentido e peso muito além do que é proporcionado pelas formas simples que descreve. Ele se tornou um dos maiores artistas americanos a trabalhar com o gênero.

Uma Sobremesa é talvez a expressão mais belamente realizada das possibilidades do tema da natureza-morta. Os modestos objetos inclusos - frutas, nozes, artefatos em vidro e uma travessa de cerâmica - são retratados com uma fidelidade que sugere algo de específico e imediato, mas a forma como se encontram dispostos numa composição  equilibrada e harmoniosa e o modo como são fortemente iluminados, com iluminação proveniente da esquerda e delineando seus contornos dá ao conjunto um senso de permanência e atemporalidade que é verdadeiramente transcendente.

Texto: National Gallery of  Art. Nova York: Thames & Hudson, 2005, pp. 223.

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