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domingo, 10 de agosto de 2014

Filme do Dia: Boccaccio'70






Boccaccio’70 (Boccaccio’70, Itália, 1962). Direção: Federico Fellini (As Tentações do Dr. Antônio), Luchino Visconti (O Trabalho) & Vittorio de Sica (A Rifa). Rot. Original: Federico Fellini, Ennio Flaiano, Gofredo Parise, Tulio Pinelli & Brunello Rondi (As Tentações do Dr. Antônio); Suso Cecchi D’Amico & Luchino Visconti (O Trabalho); Cesare Zavattini (A Rifa). Fotografia: Otello Martelli (As Tentações do Sr. Antônio, A Rifa); Giuseppe Rotunno (O Trabalho). Música: Nino Rota (As Tentações do Dr. Antônio, O Trabalho); Armando Trovajoli (A Rifa). Montagem: Leo Cattozzo (As Tentações do Dr. Antônio); Mario Serandrei (O Trabalho);  Adriano Novelli (A Rifa). Dir. de arte: Piero Zuffi (As Tentações do Dr. Antônio); Mario Garbuglia (O Trabalho); Elio Constanzi (A Rifa). Figurinos: Piero Zuffi (As Tentações do Dr. Antônio); Piero Tosi (O Trabalho). Com: Peppino De Filippo, Anita Ekberg, Antonio Acqua, Donatella Della Nora, Romy Schneider, Tomas Milian, Romolo Valli, Paolo Stoppa, Sophia Loren, Luigi Giuliani, Alfio Vita.
    As Tentações do Dr. Antônio. O hiper-moralista Dr. Antonio (De Filippo) trava uma luta mortal contra os maus costumes da sociedade moderna. Uma de suas mais árduas campanhas foi a que envolveu um out-door de leite com Anita (Ekberg). A figura do out-door ganha vida e passa a perseguir Antonio; o Trabalho. Otavio (Milian) busca salvar o casamento com a rica Pupe (Schneider) para sua própria saúde financeira, após o escândalo noticiado pela imprensa sensacionalista de seu envolvimento com prostitutas. Após decidir se tornar independente do pai, Pupe pensa em fazer contatos na ópera, mas decide ser menos trabalhoso ser prostituta do próprio marido. A Rifa. A cobiçada Zoe (Loren), empregada de um parque de diversões, é rifada entre oitenta moradores do local. O vencedor é o tímido sacristão Cuspet (Vita), embora Zoe esteja apaixonada pelo jovem e belo Gaetano (Giuliani).
     Esse filme em episódios parte do mais criativo para o mais banal. O episódio de Fellini é uma pequena gema, graças, sobretudo, ao seu apurado senso visual e humor, herdeiros do universo das histórias em quadrinhos. Seu primeiro filme em cores, sintetiza elementos de sua fase surrealista, sem os excessos e repetições de si próprio que tornariam menos interessantes produções posteriores como Julieta dos Espíritos e Satyricon. Suas cores exuberantes, sua notável direção de arte e trilha musical em forma de jingle e os hilários tipos como o protagonista e um comendador cheio de tiques, além de Ekberg (como uma versão européia de Jayne Mansfield), como sempre satirizando a si própria, são dignos de nota. O episódio de Visconti que procura equiparar as relações matrimoniais às comerciais, no universo da alta burguesia europeia, apesar de um bom senso de ritmo e de um humor sutil que o acompanha do início ao final soa, ao final das contas, grandemente frívolo quando comparado com seus melhores trabalhos. Já o episódio que fecha o filme apenas vem a comprovar o mais completo declínio artístico de um dos maiores nomes do cinema neo-realista, em uma tola chanchada em que nem mesmo um senso autoral é percebido, com um sentimentalismo populista que influenciaria Scola e Monicelli (que, por sinal, possui um episódio que foi excluído para essa versão em língua inglesa), embora possua igualmente algo de superficialmente felliniano. É também veículo para que Loren procure se lançar como cantora (cantando Soldi, Soldi, Soldi ou Money, Money, Money). Cineriz/Concórdia Int./Francinex/Gray-Film. 150 minutos.

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